12 de dez de 2015

A mídia que manipula e o potencial corretivo dos comentários dos leitores

Não acredito que nos cursos de jornalismo ensinem algumas das práticas que acompanhamos na imprensa reacionária brasileira da atualidade. Tampouco acho que seja coincidência fortuita ou intenção má de algum diagramador dado a esquizofrenias subliminares. Deve haver alguma explicação sobre o porquê disso ocorrer, seja diretriz das redações ou quaisquer outros interesses escusos de classes superiores. Temos visto vários exemplos repassados nas redes sociais de notícias dadas de maneira distorcida conforme a origem social ou filiação partidária do noticiado. A cobertura dos movimentos de ocupação de escolas em protesto ao plano educacional paulista que fecharia quase uma centena de unidades escolares é o exemplo mais recente.
É notória, também, a paranoia persecutória à presidente da República e seu antecessor, promovida por tais veículos. E não me refiro às patéticas investidas de certos colunistas coléricos de páginas amarelas, mas a outro tipo de manipulação ao rés do chão. Quando da prisão de Delcídio do Amaral, vimos página ilustrada com fotografia do ex-presidente, mencionando que ele teria feito críticas ao senador petista preso. Só isso. E na imagem, um amargurado Lula dando tchauzinho ao eleitorado. Coincidência? Não pode ser. E não é de agora. Em outra folha, de 2013, lia-se que um auditor preso dizia que o prefeito de São Paulo sabia de tudo sobre a Máfia do ISS. Ao lado, uma fotografia grande mostrava o atual administrador da maior metrópole brasileira, Fernando Haddad (PT). Sua cara na foto era de tacho. O detalhe é que o político citado no tal texto era o Gilberto Kassab (ex-prefeito – PSD). Abaixo da imagem de Haddad, havia artigo sobre ele, mas com título bem menor, forçando o leitor a associar sua imagem com a manchete lateral em garrafais tipográficos. Não vou tratar aqui da chamada governabilidade que levou Kassab a ser ministro de Dilma por não ser objetivo desse texto. E os exemplos destas diagramações duvidosas ou manchetes com duplo sentido não faltam. Só podemos entendê-las como uma prática sem ética e altamente questionável desses profissionais. Nenhum jornalista deveria se prestar a um papel desses. A história revelará suas falácias e até como foram mesmo eles manipulados ao criar tais instrumentos.




Por outro lado, se a mídia conservadora e tradicional do país especializa-se em manobras de massa, forma-se uma imprensa alternativa e livre do cabresto cultural e jugo do capital que impregna nossos meios. Por fontes alternativas alcançamos contrapontos e muitas informações nos chegam pelas redes sociais, quer por compartilhamento de textos de blogues ou especulações escarafunchadas, que por vezes tangenciam o pensamento conspiratório, mas antes de tudo, assinalam uma nova militância que emerge dos quadros de comentários. De defesas ideológicas a canalhice das trolladas, nesse espaço de pé de páginas virtuais ocorre um exercício diário que não tolera por muito tempo as contradições e descabidas tendências citadas anteriormente.
Em geral os comentários são muito produtivos e pertinentes, acrescentando vez ou outra, novas informações e fatos sobre o assunto. Internautas com essas características colecionam dados, estando muitas vezes prontos a embasar suas opiniões. Forma-se, deste modo, um novo tipo de engajamento e consciência que não pode ser tão facilmente controlada e dominada pelos meios tradicionais com que a mídia hegemônica produz e distribui sua (des)informação. É deste contraponto que advém uma energia politizadora que futuramente próximo significará a derrocada dos barões da mídia tradicional.
Claro que neste espaço, alternativo por concepção, jogo para a torcida. Vocês que leem e comentam. E já se conhecem entre si, ainda que por codinomes ou iniciais que lhes garantam o anonimato. Em contrapartida, vale lembrar que ao comentar de forma embasada e com dados em jornais e blogues conservadores, atua-se com um instrumento (onde não há censura) que, apesar de já estar firmado em nosso dia-a-dia, é algo realmente novo e fantástico. Enquanto isso, quando um leitor com maior estreiteza mental vem trollar em um site de esquerda ou crítico, geralmente parte de argumentação com mantra de origem em suas leituras passivas, chegando mesmo a ataques pessoais sem qualquer cabimento. Isso é o que diferencia profundamente as abordagens e marca nossos dias como o iniciais de uma relação dialógica frente aos desgastados donos da verdade. A era de um Lacerda, em seus constantes ataques a Vargas, ou do Roberto Marinho, propagandista do regime militar só se repete na farsa pois já não pode se retroalimentar. Ou seria alimentação retrô? Enfim, comentem a vontade.
Manhãs e tardes melhores virão e a manipulação das informações não prosperará por muito tempo.


Publicado no:


Nenhum comentário: