27 de jul de 2015

E teria como agradar a todos?


Não se fala de outra coisa. A oposição é um disco arranhado. Crise e roubalheira. Pequenas delações e grandes negócios. Onde está a novidade? E o Ademar de Barros, hein? Roubava, mas fazia? Fazia o quê? Negociatas e caixinhas. E o Maluf? Roubava e não fazia. Detalhes… Diz que o Salim Maluf não está na Lava Jato. Piada pronta: não se sujaria por tão pouco. Macaco Simão deita e rola. Ressurgiu até o ex-presidente impedido. O afilhado da Dinda teria uma coleção de automóveis fruto de desvios. Ele não tinha pedido que não o deixassem só? Então. Que se… defenda! Tudo bem, o Renan já tomou as dores e está questionando o dedurismo da operação. O Cunha, a seu turno, também já avisou que, se for premiado com a delação, vai chutar a bacia do Congresso. É o que faz de melhor, aliás.

O que exaure a boniteza da gente é que se têm usado todas as denúncias e investigações sempre para um único propósito: atacar a presidenta eleita. E não há qualquer contraponto elogioso ou algo positivo. Para alguns segmentos e para a imprensa que os representa, o governo não acerta em absolutamente nada. É impossível agradar a todos o tempo todo. Ok, mas tal intolerância é tola e estúpida. De quebra ainda respinga em qualquer um que arrisque defender qualquer ponto potencialmente positivo do governo. Gregório Duvivier foi preciso dia desses ao escrever: “você coloca um avatar coloridinho, aí não pode porque tem gente passando fome. Aí o governo faz um programa pras pessoas não passarem mais fome, e aí não pode porque é sustentar vagabundo…” Assim não dá pra ser feliz, lembrei do Fagner.

É como se todo o universo, desde o Big Bang, convergisse para os erros do PT. Ver a contemporaneidade como o fim de um processo de corrupção em que tudo e todos são sempre culpados é de um reducionismo que tangencia o patético. Põe qualquer Fukuyama no chinelo. Que é? O fim da história com o petismo? O ator Paulo Betti, que saiu em apoio à presidenta esta semana, lembrou que o óbvio ululante precisa ser dito de vez em quando – ”Deixa a pessoa trabalhar.” Quando vi sua foto com a Dilma, brinquei no face que o Capitão Lamarca veio dar início à revolução bolivariana no Brasil. Alguns gostaram. Outros, não.

Qualquer medida de cortes ou ajustes geram brados nada gentis sobre a Pátria Educadora. Nunca se vê no noticiário nacional um comparativo sobre as universidades criadas, por exemplo, na era dos Fernandos ou sobre o aumento do acesso ao nível superior. As cotas… Deus o livre. Melhor nem falar.

Se bobear bergamota descascada de bandeja é coisa do Lula.

Temos que estudar mais e mais a história para entender o que estamos vivendo atualmente, tentando minorar os danos, sem nunca negar ou mesmo retroceder nos avanços até então conquistados. Quaisquer reações às mazelas político-administrativas arraigadas, diga-se de passagem, nos três poderes e em todos os entes da federação, que propugnem passos atrás no desenvolvimento social e cidadão, devem ser vistas como desejo redundante das coisas como já foram e não como poderiam vir a ser. O que vemos hoje no país é uma reação enérgica e incansável dos grupos que querem voltar ao poder, contra um projeto de cidadania e inclusão social.

Conservadores sêniores ou reacinhas trainees servem a tais propósitos, reproduzindo asneirices como: o impeachment, Estado religioso, armamento do cidadão, justiça pelas próprias mãos, pena de morte, humanos direitos para direitos humanos, intervenção militar e outros disparates que ninguém deveria ter coragem de propagar em bom som. Se uma pessoa amarrada a um poste e morta agradar à maioria será essa nossa opção? A da barbárie? Tudo isso aponta senão a uma marcha de retrocessos e selvageria e não um caminho para um país melhor. É um vinil riscado que nos faz andar em círculos sem sair do lugar. Fadamos à repetição dos erros, é isso? Crise e roubalheira ou retrocesso?

A crise é do sistema capitalista. Atinge gregos e ucranianos e apenas começou. E para superar as desigualdades do sistema talvez seja preciso admitir que não será possível agradar a todos. Signifique antes uma oportunidade para avançar no que sempre nos foi carência (justiça, cidadania e igualdade) e para lutar contra o que nos deveria ter sido, desde há muito, tido por retrógrado (corrupção, alienação e concentração de renda).

Ser contra a roubalheira e a corrupção é o mínimo esperado e o desejável a todas as gentes. Só não é contra quem for corrupto ou corruptor. E vale repisar que muitos desses que alardeiam moral política, no seu dia a dia são pequenos corruptores, sonegadores e infratores herdeiros do jeitinho luso-brasileiro.

Também teve, nesta semana, seus quinze minutos de fúria, a atriz que precisou recolher tributo sobre notebook (ou o que seja) não declarado à Alfândega. Não acompanhei o caso no detalhe, nem perderia meu tempo, mas imagino que das duas uma. Ou o equipamento era novo de modo a não deixar dúvida sobre sua aquisição recente no exterior ou ainda que com evidências de uso, não pode comprovar sua entrada legal no país em momento anterior. Aí veio o esperneio da moça. Não se agradou. Se passasse sem qualquer fiscalização, talvez ela própria ou alguém chamasse a Receita Federal de omissa. No país dito da propina e da negociata, quando é cumprido o dever por um servidor público, a denúncia passa a ser de excesso do Fisco.

Enfim, nem os cobradores de impostos da época de Cristo agradaram a todos.

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