2 de nov de 2014

Poesia no Bar e no Café

Começou a Feira do Livro de Pelotas. Pra valer. De volta ao coração da praça. Sem cara de peixe morto. Ano passado foi... estranho. Não quero ser injusto, claro que nos divertimos, mas... fica bem melhor assim. Mais viva. Pulsante. A feira tem suas artérias nos caminhos da praça, com o vai e vem dos leitores. O DNA das letras contorcendo-se em linhas espiraladas dentro das bolsas plásticas, ávidos por cumprir sua missão: disseminar o conhecimento, combinando informação com arte e entretenimento.

Marina Mara declamando para Drummond
A programação este ano está superbacana. E começou bem com um Sarau em café com estilo parisiense, aliás um café vegano (vendamos nosso não-peixe). Declame para Drummond foi o tema que conduziu este sarau do projeto Poesia no Bar, integrando-se não apenas à feira do livro, mas a um lance maior ainda que ocorre em diversas cidades do Brasil e mesmo fora do país, criado pela poeta Marina Mara de Brasília. O Declame para Drummond nasceu em 2010, mesma época do Poesia no Bar, tornando ainda mais interessante esta união de projetos. Originalmente ocorria em Copacabana junto à estátua do poeta. Desde lá ocupou outras cidades como São Paulo, Brasília e agora Pelotas. No meio do caminho havia um poema... E dos versos lidos por Daniel Moreira, Álvaro Barcelos, Ediane Oliveira, Junelise Martino, Renata Wotter, entre outros, escritos por Drummond ou lidos para ele, a poesia alcançou outra dimensão. A proposta ganha projeção com poemas impressos em formato de cartões, além da integração via redes sociais. 

Quando vim para Pelotas em 2009 até gostei da feira daquele ano, mas sentia que faltava aquele algo a mais que apenas o comércio de livros. Claro que não sou contra a venda, sempre é bom avisar, pois nos últimos dias qualquer coisa antiliberalismo que se fale corre-se o risco de ser mandado morar em Cuba. Contudo, faltava pensamento na feira. Ah, faltava. Faltava diálogo com os autores, professores, poetas. Faltavam oficinas. Mesas e saraus. Este panorama, entretanto, vem mudando a olhos (e ouvidos) vistos. Cada vez mais há diversas atrações que tornam a experiência da leitura e da escrita muito mais viva e produtiva.

Fiquemos atentos à programação da feira, muitas ideias e pensamentos circularão o chafariz. Beba dessa fonte. Nem tudo é comércio. Selecionar o que vai comprar é evitar best-sellers caça-níqueis. Falo sem outras intenções, pois não tenho lançamento na feira deste ano. Escolha com inteligência suas leituras. Parece papinho político e talvez até seja. Nossas leituras influenciam em nossa visão de mundo e no que esperamos construir enquanto seres humanos em constante formação.

Pode ter mil tons de cinza, se não tiver poética, não se deixe enganar. Pode ser o número um na lista de revistas de página amarela. Se não tiver verdade, não se deixe levar. Lembre-se de ler a literatura brasileira. Latino-americana. Ah, e claro os autores locais. Dê um credito aos livros de história. Sociologia. Filosofia. Muitos dos disparates que acompanhamos nesta semana nas redes sociais advêm da pouca leitura de nosso... eleitorado. 


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