25 de set de 2014

Pesquisa: Luciana Genro e Pastor Everaldo empatados!

Empatados e no segundo turno! Consegue imaginar? Que tal se uma pesquisa apontasse tal resultado? Parece absurdo? Por quê? Quanto mais à esquerda ou à direita estariam dos atuais protagonistas da cena atual? E se fosse o Mauro Iasi e o Levy? O Zé Maria e o Eymael? Peguei logo os extremos no que tange às principais questões que envolvem o debate nacional em torno das eleições deste ano, mas poderia ser qualquer um dos que estão com números baixos nas pesquisas. E aí vem o ponto (de interrogação) que desejo colocar atrás da sua orelha. Fosse real o cenário acima, você mudaria seu voto ainda no primeiro turno? Hã? Hein? É hard responder? Pois não está fácil pra ninguém, meu amigo. 
É difícil porque não estamos acostumados a pensar diferente do que nos dizem para pensar. Se sua resposta for negativa, parabéns! Você está bem resolvido. Se for positiva, confessa aí, demonstra que algo vai muito mal na maneira como votamos. A crítica às pesquisas eleitorais não é novidade. Já o argumento acima, que inverte o raciocínio, foi que me perturbou esta semana. Revela os equívocos cometidos no principal ato de cidadania que praticamos. A sacada foi do jornalista Flaubi Farias em seu site La parola, embora tenha destacado, em seu universo paralelo, o candidato Eduardo Jorge no lugar do missionário. Mas independente da dupla testada, o exercício é totalmente pertinente. Mostra que se a eleição fosse hoje ou depois, a intenção de voto é sempre a mesma: votar com a manada. 
Tentar evitar que o pior ganhe no primeiro turno não é o mesmo que escolher com seriedade quem se pretenda como governante. Caso, após analisados os programas de governo, a linha política, a ética, a fidelidade partidária, a existência de um projeto claro etc, o eleitor veja frustrado seu desejo nas urnas, aí sim, havendo segundo turno busque-se a segunda opção, o menos pior ou se anule o voto. Entretanto, deixar de votar no candidato que mais lhe representa para buscar o voto útil, isto sim é uma inutilidade. Enfraquece o quadro político. Dói, né? Eu sei. Enquanto escrevo tento me convencer também. O fato é que se você for verde, tem candidato. Se for vermelho, também tem. Agora se vai votar no azul ou no laranja porque estão melhor colocados nas pesquisas, está sendo incoerente com seus valores e exercendo mal um direito que foi conquistado a duras penas depois de quase toda a história republicana, marcada por fraudes e ditaduras. Defender as pesquisas é defender um voto de analfabetismo funcional político. É bacharelado com prova de marcar.
Em uma reforma política séria, tão prometida a cada eleição e pouco ou nada cumprida, deveríamos repensar as tais pesquisas. Evitá-las nem se cogita? Feriria a liberdade de expressão, dirão. Entretanto, para que servem afinal se não para conduzir o eleitor para um resultado de unanimidade burra. Quem encomenda as pesquisas e quem paga por elas? O eleitor? Não. Os partidos? Por quê? Para definir estratégias de campanha, esclarecerão os coordenadores de campanha. Então por que não guardam os resultados para si? Empresas que fazem pesquisa de mercado para definir suas táticas divulgam os resultados? Outros se lembrarão da mídia. E qual a sua motivação? Informar ou atender aos interesses dos patrocinadores? O eleitor deveria fazer sua própria pesquisa, mas sem prancheta de cenários pré-definidos. Deveria consultar livremente sua consciência, enquete esta sem margem de erro e com nível máximo de confiança.

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