26 de set de 2014

45 anos do Abbey Road

Não foi o último disco dos Beatles lançado, mas foi o último encontro em estúdio. O grupo já vinha desorientado desde a morte do empresário Brian Epstein e fez esse derradeiro esforço para cruzar a linha de chegada. O último disco, Let Be foi gravado antes, mas ficou parado um tempo por desentendimentos. Abbey Road, que completou 45 anos nesta sexta (26) foi a verdadeira despedida do quarteto aos fãs.
Álbum mundialmente conhecido, inclusive por sua capa com os quatro cabeludos atravessando uma faixa de segurança. Até hoje as pessoas tiram suas fotos no lugar, fazendo a pose dos Beatles e atrapalhando a contramão dos londrinos. Também paguei esse mico quando lá estive e não tenho desculpas para isso. A gente faz deixa estar! Os significados supostamente ocultos da capa hoje sabemos ser invencionices sensacionalistas. Foi apenas uma foto bem bolada em uma rápida sessão de cliques, que sequer coincidem entre si, pois os carros estavam em movimento, deixando sem sentido as interpretações que deram a cada milímetro do frame escolhido.
 Mas o tal álbum é de fato icônico. As discordâncias foram transformadas em arte pura. John queria rock e o lado A assim foi feito, tendo como carro chefe Come together, cantada por ele. O lado B teve a estética desejada por Paul de um tipo de ópera rock contemplada nos medleys que caracterizam o avesso do bolachão. Come together seria originalmente um jingle político que John compusera para uma campanha do maluco lisérgico Timohty Leary, que acabou não rolando. Abrindo o álbum, a música ganhava novo significado para a última reunião da banda. Se Something, enorme sucesso, não falava explicitamente do grupo, era um acerto de contas também. Foi composta por George Harrison que estava cansado do segundo plano, em que só disputavam beleza a dupla L/M. No outro lado, foi prensado outro de seus grandes sucessos, Here comes the sun. Já a faixa Maxwell´s Silver Hammer tem uma letra ironicamente macabra de Paul, na qual um personagem tem uma marreta de prata e sai por aí destroçando crânios alheios. Metafórica, tem a ver com karma e outras catarses freudnamente explicáveis. 

Em Oh! Darling, Paul esforçou-se para fazer seu melhor vocal. E conseguiu. Foi uma semana de ensaios para chegar à perfeição. Sem querer dar uma de João sem braço, Ringo também quis seu espaço e assinou a bonitinha Octopus´s Garden, no estilo Yellow submarine. As loucuragens do lado B são geniais como Because, faixa em que Ringo não participa e George Martin, o produtor, tocou cravo. Para esta melodia Jonh pediu que Yoko tocasse no piano os acordes de Sonata ao luar de Beethoven ao contrário e veio a (ins)piração. Em You never give me your money, ficam claras as desavenças e chinelices por dinheiro. Destaque-se ainda Polythene Pam, que juntamente com She came in through the bathroom window, remete aos excessos da beatlemania.

Mas as faixas mais reveladoras de que se tratava de uma despedida são as últimas com Carry that weight, confissão de Paul sobre o peso dos últimos momentos do grupo e The end, em que todos se superam, inclusive Ringo, com um solo de 16 segundos. Encerrava-se uma era com a frase and in the end the love you take is equal to the love you make, que vou estragar traduzindo, mas quer dizer, no final o amor que você recebe é igual ao amor que você dá.

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