12 de jul de 2014

A culpa na Copa

A ressaca não passa. Achei que até hoje, sábado, já teria outro assunto para tratar, mas não consegui. Entrei na prorrogação da falta de inspiração e perdi nos pênaltis. E vai ser assim até o final da Copa e na próxima semana e na outra e na outra. Não teremos outro papo. Pelo menos não antes de engrenarem as campanhas políticas. É a bola nas costas da vez. Já que todo mundo comenta, virei técnico também. A derrota da seleção brasileira na última terça (8/7), mesmo engolida de cara feia, não digere. Embola no estômago. Criou-se um trauma maior que o da Copa de 50. Arrisco a dizer que daqui a meio século estaremos ainda queimando de azia. É futurologia mesmo. Ainda que o Brasil alcance o hexa nos próximos 12, 24 ou 48 anos, não esquecerá a tragédia do 7x1, assim como os cinco títulos conquistados de 1958 a 2002 não puderam aliviar a mágoa do erro do Barbosa em casa.

O pior de tudo é que desta vez não há um culpado. Não foi o Júlio César. O goleiro não foi apunhalado (ou mordido) pelas costas. Vilão na outra Copa, herói semana passada e homem invisível no tal jogo, podemos lhe atribuir isoladamente as falhas? Como seria fácil! Ou quem sabe ter um juiz ladrão para por a responsa? Mas nada temos contra a arbitragem. Fred? Hulk? Marcelo ou o piá Bernard? Quem foi o responsável? 

Caça às bruxas (do 71)
A zebra tampouco foi a falta do "craque" Neymar, que levou um joelhaço na coluna do meio e ficou de fora da partida. Baita sortudo, aliás, livrou-se do vexame. Se ele voltar a jogar logo, vou achar que foi cena, hein! Mas nada de embarcar em mania persecutória. Circulou um texto com montagem fotográfica malfeita nas redes sociais de um Neymar que estaria contra uma conspiração e tal... Nem dá pra explicar de tão ridículo. O brasileiro tem essa mania de caçar bruxas. O Felipão! O culpado é o Felipão, dirá o leitor com sede de justiça. Será? Logo ele que angariou o Penta e a Copa das Confederações? Não seria uma injustiça histórica lhe atribuir a sucessão de erros em única partida? Então foi o time! Todos eles. O técnico escalou mal o time, e o time é culpado. Logo, ele é o culpado. O leitor está mentalmente tentando me convencer, né? Ok, agradeço. Realmente não sei. Ocorreu-me que talvez seja uma culpa coletiva. Nós, os que nos deixamos enganar, não seríamos um pouco responsáveis pela frustração? Eu me senti ingênuo quando percebi a blitzkrieg de gols caindo do céu.

O Brasil vinha jogando mal desde a primeira partida. O primeiro gol foi contra. Queriam o quê? Mas acreditamos na sorte. No jeitinho. Em vitórias compradas. Nas benesses da tabela poupando-nos de times fortes até então. Alguém duvidou da competência alemã em campo? Foram passes bem feitos com resultado.

Sem revanchismo de secação, a Alemanha merece ganhar essa Copa. Não vamos pregar xenofobia de cuequinha verde-amarela. Por fim, resta torcer, citando a observação de Leonardo Boff, que a elite que vaiou a Presidenta na abertura não volte a envergonhar o país diante do mundo, quando ela entregar a taça ao vencedor e que vençam os melhores!

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