7 de mar de 2014

Larguei o Oscar!

Tá ligado aquelas coisas que a gente faz mecanicamente, já não sabe por que, mas continua fazendo. Pois é. Eu sinceramente não sei por que razão continuo assistindo ao tal do Oscar. E todo ano é a mesma coisa. Vestidos exclusivos, smokings iguais. Tudo no tapetão vermelho. Piadinhas infames, aquele humorzinho americano metido a esperto que quase sempre humilha alguém pra arrancar sorrisos branqueados artificialmente. Sério! O programa me irrita. Fazer o quê? Sim, ano que vem juro que não olho.

Nessa edição, contudo, houve umas tiradas no mínimo interessantes. Tentaram humanizar um pouco mais a celebration. Rolou até pizza. E diz que a coisa toda foi real. O rapazinho que estava lá distribuindo fatias a convidado ilustres como Scorsese, Di Caprio e outros membros da cosa nostra, de fato era entregador. E com que voracidade a turma se lançou nos comes. Foi o primeiro fast food live em rede mundial. Teve também a sessão de selfies dos artistas que rapidamente correu pelas redes sociais. Foi divertido. Ok, deu vergonha. O selfie é o nome sofisticado pra aquela foto toda torta e desfocada de si mesmo que as pessoas fazem com o celular. Quanto será que a empresa do aparelho usado pagou pelo comercial? A coisa não tem sentido, pois só teria se não houvesse alguém pra fotografar. Enfim, quem disse que tem que ter sentido?

Eu me penitencio por ter assistido mais uma vez, pois já deixei o cinema block besteirol há algum tempo. Claro que dentre os indicados estava torcendo pelo filme de Woody Allen, Blue Jasmine, que concorria na categoria melhor roteiro, embora sem chance por conta do eterno escândalo do taradão. E para melhor atriz, com a indicação de Kate Blanchett, que já havia vencido o Globo de Ouro e levou outra vez. Tem mais. Confesso que estava secando a Sandra Bullock, que já havia tornado seu sonho realidade em 2010. Aguentar aquela uivadinha no espaço e ainda por cima ela voando com um extintor foi de chorar, ou mesmo uivar.

Não escapei de amargar que o tal Gravidade faturasse o prêmio de melhor diretor. Qualé? Que levasse, como levou aliás, todas as estatuetas por efeitos especiais e técnicos, tudo bem. Mas de diretor? Aí enalteceram o fato de ser o primeiro mexicano a ganhar de diretor. Ah, nos poupem de tais concessões de pequeno coitadismo. De igual modo não se pode admitir simplesmente que a queniana Lupita Nyong'o ganhe por seus méritos artísticos e não como uma benção da indústria cinematográfica ianque? Dizem que o grande filme vencedor é de fato o 12 anos de escravidão. Pega a chibata aí, pois ainda não vi. Mas prometo que assisto nesse finde. Os americanos têm aceitado a causa antidiscriminação racial no cinema. A temática já foi coadjuvante em Django e Lincoln no ano passado. O Juremir Machado observou que é o filme que precisava ser feito no Brasil.

Enquanto isso, temos o Robocop pra encher brasileiro de orgulho (ou de bala) lá fora. Ano que vem não quero saber de Oscar. Nem com pizza de brinde ou fotinho no twitter.

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Um comentário:

Karine Tavares disse...

Parabéns pelo teu blog!
Vem conhecer o meu:

feitaparailetrados.blogspot.com