14 de fev de 2014

Sobre usos e abusos de Woody


Não chega a ser nova essa dualidade que acompanha o nome de Woody Allen. Ou as pessoas o amam, ou o odeiam. Nas últimas semanas circulou que ele está sendo outra vez inquirido por molestar sua filha, Dylan, adotada com a atriz Mia Farrow. A acusação se reergueu após 21 anos, através de uma carta aberta publicada pela mocinha em blog de um amigo delas hospedado no New York Times. Tudo começou em 1992, logo após a separação de Allen por estar tendo um caso com outra filha adotiva de Mia Farrow. Assim surgiu esta história do abuso, possivelmente como um contra-ataque da atriz. Estranha-se que até então nunca se falara de suas supostas perversões pedófilas.

As redes sociais disseminaram o assunto de modo sensacionalista e sem ouvir os dois lados. Até porque o diretor, que não aparece nem em entrega de prêmios, evita exposições. Agora passados tantos anos, ele resolveu se manifestar também através do NYT. Sua defesa seguiu a linha de um texto publicado dias antes pelo seu documentarista Robert Weide, que se julga imparcial, por não estar tão distante a ponto de ser acusado de falar sem conhecimento de causa, nem tão próximo que pudesse sugerir uma matéria paga. Apego-me ao seu raciocínio. A presunção é de inocência até que se prove o contrário. Tampouco estou aqui para julgar. Alguns detalhes, entretanto, merecem dar o ar da graça para entendermos o enredo. Para começo de conversa, Woody Allen não era o pai adotivo de sua atual esposa, Soon-Yi, como se fala por aí. Ela era adotada por Mia Farrow com o ex-marido, anterior a Allen, André Prévin, um músico americano. A este cabia o papel paterno da coreana adotada. Allen e Farrow sequer moravam juntos. Ou seja, a acusação da sua filha adotiva parece ter a retaliação materna como único elo de ligação com o rolo com a enteada que foi viver com Allen. Um caso, se confirmado, seria de abuso. O outro, meramente moral.

Pois não apenas inexistiram elementos suficientes para sustentar um processo, como Woody ainda conseguiu adotar mais duas filhas com a nova parceira, Soon-Yi, com quem, aliás, já está casado há 16 anos, mais tempo que esteve com a “Fria” Farrow. Fosse ele o tarado apontado por Dylan, passaria nos rigorosos critérios para adotar uma criança nos EUA? Outro ponto, dentre a penca de filhos de Farrow, há um varão registrado como filho biológico de Woody. Ano passado, ela admitiu que ele possa ser filho de Frank Sinatra, com quem também foi casada antes de ficar com o noivo nervoso e o pianista. E é aí que a moral dela vira pastelão. Se procurar as fotos do rapaz no google verá que é piada pronta. É simplesmente inegável a semelhança do rebento “natural” de Woody com o velho cantor de olhos azuis. 

Em Manhattan, filme de 1979, o personagem de Allen com 42 anos se apaixona por uma garota de 17 e faz uma lista das coisas que fazem a vida valer a pena, dentre as quais, ironicamente, cita Sinatra. 


Sinatra e Ronan, o filho "natural" de Woody Allen
Possivelmente Allen seja estéril e sempre soube que o Sinatrinha não era seu. Temática que chega a ser tocada no seu filme Poderosa Afrodite. Na película, por força dos deuses, o protagonista e a coadjuvante acabam criando os filhos um do outro sem saber. 

Por ora, acho que tudo o que queríamos saber sobre sexo nessa história ficará sem respostas e não seja por medo de perguntar. 

O desfecho, contudo, talvez aponte uma tragédia grega.



Nenhum comentário: