3 de out de 2013

Bigode Grosso

Impressionante a reação das pessoas ao me encontrar. Alguns têm histéricos faniquitos de riso. Outros firmam a vista no bigode. Entre elogios e deboches perguntam sobre o novo visual. Respondo o de sempre. Cabelo não tenho pra mudar, então... Mas sério! Não há razão específica. Tá na cara. Debaixo do nariz. É só um bigode, Zé Bigorna!

Na Europa os mustaches estão na moda faz tempo. Aparecem por toda parte. Não só nos rostos, mas nas roupas, nas bolsas, nas camisetas. Diz que a origem foi uma campanha de luta contra o câncer de próstata. Minha opção, contudo, foi realmente fortuita. Desmotivada. Ao cortar a barba poupei a tal peça pra ver como ficava. Gostei e deixei. Sua origem é remota. Apesar de alguns breaks, sempre volta. Há registros de uso no antigo Egito, sendo possível recuar mesmo à pré-história. Com o cristianismo deu-se um tempo, porque o lance da barba pegou religiosamente. Depois os bárbaros bigodudos invadiram o Império Romano botando o horror e a feição voltou. Os germânicos, ante algum espanto, exclamavam bei Gott! (por Deus!), levando a mão ao espaço entre o lábio superior e a base do nariz. O termo teria, assim, alcançado a língua portuguesa através dos galegos. Isso tá com uma cara de mentira cabeluda. Copiei do wikipédia. Qualquer coisa tô de Groucho aqui. Um ditado alemão, segundo a enciclopédia virtual, também apregoa que um beijo sem bigode é como uma sopa sem sal. De repente Bismarck virou onomatopeia, tá bom.

O adorno facial teria sido sinal de poderio no século 19. Daí a produção fordista de bigodes conquistou o mundo do final da Belle Époque ao pós-guerra. De Hitler a Chaplin, os modelitos variavam conforme o humor, alcançando nossos dias. De Nietzsche a Olívio. De Einstein a Chapatin. De Laçador a Tarso. Daqui e Dalí. Monteiro Lobato, Frida Kahlo. Leôncios, da Escrava Isaura ao Pica-Pau. Nos anos 1950 e 60 tivemos um pequeno recesso com o visual imberbe sem causa de James Dean a Elvis. Mas logo renasceu a bigodeira, inclusive para os garotos de Liverpool com suas fachadas Sargent Pepper´s. Nos 80 nem se fala. Quem não lembra de Freddie Mercury, Eddie Murphy e Magnum? Se nos 90 passou-se a gilete, claro que nos 2000 a pelagem cresceria mais forte. Rolou até documentário, The glorious mustache challenge (2006).

Esperando eu falar do funk do bigode grosso, né? Vamos lá. Não conhece? Desculpa aí pelo desserviço então. É daquele tipo ostentação podreira, com festa em beira de piscina e tudo liberado, 300 quilos de carne e o dobro de linguiça. Aí eu pergunto: Por que, Deus? Por que sempre que chega por cá a coisa fica com jeitão de chinelice? Neymar e outros jogadores adotaram comemoração em que fazem um bigodão de dois dedos em referência ao novo musical, que já teve mais de 2 milhões de acessos no youtube e cuja poesia canta assim: 


Great success!!!!
 “Tu tá maluco? 
Respeita o moço. 
Patente alta. 
Dá aula. 
É bigode grosso!” 

- Bei Gott!

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