3 de ago de 2013

Etiqueta Vermelha

Outro dia o Manoel Magalhães me sacaneou lá no Cultive me arrumando serviço num final de tarde. Perguntou sobre um encontro ocorrido entre Stalin e Churchill no meio da II Guerra. Diz que os loucos tomaram um fogo daqueles e não me refiro à artilharia pesada ou qualquer saraivada bélica, mas à beberagem que entornaram em um jantar secreto em Moscou.

Segundo documentos que vieram a público recentemente, o líder soviético teria se aproximado do inglês com demonstrações da boa etiqueta vermelha, promovendo em 1942 a reunião até então ignorada, quando teriam varado a noite num trago mundial.

Pois é, divulgada pela Agência Reuters/Londres a tal notícia circulou o planeta em maio desse ano por seu curioso apelo. Em tom provocativo, sem perder a piada jamais o meu amigo Manoel indagou o que a revelação significaria para a história. Sei lá, seria minha primeira resposta. Talvez nada além do tom festivo que a novidade nos faz supor ter havido naquele momento. A rigor não conheço muito do tema, mas saio da trincheira segura da ignorância, lançando alguns dados para quem sabe conquistar algum território no tabuleiro da especulação.

O fato é que desde o bombástico pacto Ribbentrop-Molotov de não agressão entre alemães e soviéticos, que a lógica (ou ideológica) tática da II Guerra virou uma cachaça bárbara. Depois o bigodinho ariano sacaneou o bigodudo comuna com a Operação Barbarossa em 1941. Claro que os nazis se lascaram na investida, porque não suportaram o inverno russo de menos dez grauzinhos - credo! Iam aos pés e colavam as pelotas no gelo. Congelavam a bunda e morriam.

O Brasil estado-novista, a seu turno, também jantou conforme a música. Primeiro era pró-eixo, porque... sabe, né? O velho era fascista. Depois entraram no banzé ao lado dos aliados, pois se o “nosso” modelo político era semelhante aos dos países dos eixudos, o paradigma econômico do Tio Sam era o sonho de consumo brasileiro.

Mas voltando à faca fria dos russos, depois do conflito com os alemães trairaças, deram uma chegadinha pro lado dos ocidentais numas de não tem tu, vai tu mesmo. As imagens de Stalin, Churchill e Roosevelt são famosas, porém não são do citado evento de 42. São das Conferências de Ialta, na Crimeia, ocorridas na finaleira da guerra em 1945. O presidente americano, aliás, só deu os ares da graça no conflito depois que o vento divino japonês soprou sobre Pearl Harbor, em 1941. Em 1943 figura numa das reuniõezinhas (agora sabemos etílicas) dos aliados contra o eixo.

Arte, Edward Sorel

Ao que parece a nova reunião descoberta não acrescenta peças ao jogo como conhecemos na história. Ao contrário, corrobora antes a tese de que estavam armando desde cedo para a divisão do mundo no que mais tarde ficaria conhecido como os blocos da Guerra Fria.

Como o historiador do futuro chamará a tal jantinha dos líderes? Conferência Vodka-Whisky? Aposto que Churchill levou uma garrafa de Red Label pra agradar o camarada.

Um comentário:

Manoel Soares Magalhães disse...

De vez em quando provocar é bom. Sobretudo provocar o historiador, na esperança de que ele possa trazer dados novos acerca da história.