12 de jul de 2013

Banana grampeada


Agora essa de que os americanos estão nos cuidando. Estão sabendo, né? Foi noticiado nos últimos dias que a espionagem via internet feita pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) tem no brazilzão de my God um de seus alvos preferidos. Mãe, eu tô no Globo!

Estamos na lupa do google maior. Ligações telefônicas, correio eletrônico e redes sociais. Tudo monitorado por programas de computador. As palavras usadas. Termos escolhidos. Um mero olhar torto na webcam pode atrair a atenção das belezas americanas. O Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada nos novos pandeiros de banda larga. Viramos artistas no Big brother orwelliano.

Pô, os gringos não têm coisa melhor pra fazer? A programação da TV tá tão sem graça assim? Nos tempos da guerra fria (ou do 007) tinham os russos para bisbilhotar. Depois veio a tal guerra ao terror. Mas logo deram cabo no medo. Levaram o Bin pra passear de avião. Enforcaram o Saddam. Chaves chamou o Hugo. Fidel foi castrado. Aí algum cérebro iluminado teve a bendita ideia. Vigiar o Brasil! Uma questão de segurança internacional, claro. Sabe como é. País do futuro, do futebol do Pato Fu, sei lá! Ah, bananas! Nós temos, sim! Pré-sal da terra. Gigante do sul. Aí já viu. Mais que nada! É o Zé Carioca querendo passar, infiltrado nos gibis do “Valdisnei”.

Chore, você está sendo filmado! Mas não seja tímido. Façamos de conta que é Deus. Já não estávamos acostumados com um sabe-tudo nos cuidando o tempo todo? Qual a novidade? Cabeça erguida na via pública. E na privada. Ah, confessa aí! Não vai dizer que nunca pensou que esse negócio de termos computadores em casa não seria usado contra todos e todos por um? E colaboramos direitinho. Corremos às redes sociais entregando todos sem censura. É falso afogamento de informações. Torturamos no choque de ideias. Damos chá de banco de dados. É declaração de pessoa física preenchida e ajustada diariamente. Contamos tudo. Gostos. Preferências. Damos check-in na passeata. Postamos fotos da manifestação. Somos alcaguetas de nós mesmos. Colocaram câmeras nos computadores, tablets, celulares pra quê? É um neomacartismo autorrealizável sadomaso.

Que baita pé! Facilitemos aos “sherloquis”. Pode xeretar! Minha vida é um notebook aberto. Sou agnóstico não praticante, embora ache que estamos sozinhos no Universo. Sim curto Beatles, Elvis, Dylan e os Mutantes. Syd Barrett e Lou Reed. Leminski, Poe e o Poema Sujo. Cinema novo, mulher pelada e o Kama Sutra. Woody Allen e Ginsnberg. Saramago, Salvador Dalí e daqui. Wenders e o veganismo. Eu e a outra metade da torcida do Flamengo! Big deal! Pois vamos levar a neura às últimas. Quem quer um mundo sem a polícia do mundo vigiando todo mundo ponha o dedo aqui na minha mão que vai fechar... Quem acha ridículo o american way of life? Tá fechando. Com suas “fat” foods, seus enlatados, sanduíches com molho especial e as gasosas de água preta. Me, me, me. Quem não teme os mariners and soldiers marchando como santos? Ou os caipiras homofóbicos texanos? Os patetas de Wall Street? Maníacos da informática? Tudo patético. Pode parar! 

Vão ver se estamos lá na esquina!

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