2 de mai de 2013

Memórias londrinas II


Escrevo aqui o que poderia ser um trecho de diário gastronômico de viagem em Londres. A cidade oferece muitas possibilidades. Ainda mais se tratando de alguém com restrições alimentares laico ortodoxas. Ser vegan na Inglaterra is easier, my brother. Começa que ao pedir por opções veganas em um estabelecimento não chega a ofender, nem soa freak. Em um restaurante indiano que achei no Soho, havia até cardápio exclusivo para veganos. E a comida era the best of. 

Variedade de tomates no Borough Market/London
Se no Brasil, quando alguém diz que não come carne sempre ouve a perguntinha “mas nem peixe”, no velho mundo as coisas estão um pouco mais adiantadas. Facilmente são achados produtos destinados a todas opções de dieta. Não há a veggiefobia que enfrentamos diariamente.

Relembro aqui que vegetarianos não comem carne alguma e veganos não consomem o que é de origem animal, não somente a carne mas leite, ovos, mel, gelatina etc. No supermercado muitos produtos trazem indicados na embalagem se são adequados ou não, para ambas categorias. No Brasil ainda se discute no congresso a obrigatoriedade de tal indicação nos envólucros. 
Idem, ibidem para os cogumelos.

Há diversas marcas de leite de origem vegetal. E o que é melhor, vários sem aquele ranço de soja disfarçado com baunilha que encontramos nos produtos brasileiros. O leite de arroz que é caríssimo no Brasil, em Londres sai pelo mesmo valor que o de soja. Há ainda milk de amêndoas e de coco. Todos os itens demonstram grande preocupação também em alertar a composição para prevenir possíveis alergias. Deixam bem visível nos rótulos os alimentos que contêm amendoim.
Chegando do super no quartinho do hotel. Como não havia 
café da manhã, tinha que fazer o  ranchinho.

Os temperos e sabores são bem diferentes dos nossos. Usa-se pouco sal e muita pimenta preta, açafrão e gengibre. Há até uma chamada ginger beer, que de cerveja só tem o nome, pois se trata de um refrizão. E aqui vale lembrar que a cerveja tem um teor alcoólico bem baixo, por isso o pessoal se reúne diariamente nos finais de tarde nos pubs para virar os pints - copão com pouco mais de meio litro de maneira minimamente civilizada. 

Quanto aos ovos, muito se encontra a expressão free-range eggs que significa que a produção foi com galinhas criadas soltas e não em gaiolas ou confinadas em galpões. Se ainda não foi a solução definitiva no tratamento dos animais, pois o destino de toda ave poedeira ainda que criada solta é o abate, ao menos demonstra que houve uma discussão séria sobre o assunto. Enquanto isso, no Brasil...


Publicado no Diário Popular, 25/04/13

Um comentário:

Tui disse...

Senti a mesma coisa em Paris, foi tudo muito simples: Tem comida vegetariana? Com certeza, senhorita, e se não tivesse nós providenciaríamos. É outro mundo!

Adorei o blog.