3 de mai de 2013

Memórias de Liverpool


Videozinho que fiz de passagem...

Interessante como formamos uma imagem mental de lugares universais em que nunca estivemos antes. Tal (re)criação neurológica feita através de leituras, street vistas em passeios virtuais ou imagens youtubescas deparam-se com o sempre mais rico mundo analógico. As cidades contêm cidades ocultas. Minha representação de Liverpool era trivial. A do senso comum. A antiga cidade portuária me fazia imaginar uma Porto Alegre cinzenta, em que acharia as pegadas dos Beatles por entre becos e pubs. Algo como uma grande região do porto pelotense, meio decadente, meio dark. Não foi bem assim. Pelo menos não à primeira vista. Ao saltar do trem após quase três horas desde Londres, dei de cara com uma cidade fabulosa a quatro. Prédios antigos monumentais como sequer podemos achar no Rio ou qualquer outra capital brasileira. Também com grandes avenidas comerciais e financeiras, tipo a paulista. Um misto de admiração com desapontamento logo tomou conta. Por que tudo parecia tão bonitinho and clean? 

A Bianca compartilhava de minhas impressões. Partimos direto ao Albert Dock, onde encontramos o museu sobre a trajetória dos quatro rapazinhos de terno. Vários pontos merecem a visita dos fãs. Da famosa Penny Lane ao terrenão do Strawberry Field, tudo faz parte do magical mistery tour. Do suposto túmulo de Eleanor Rigby, localizado na St. Peter, igreja em que a duplinha se conheceu ao famoso bar subterrâneo de onde a banda estourou para o mundo, acham-se verdadeiros santuários. O bar tem entrada franca até as 20h, cerveja barata e souvenirs. O som é dos anos 60 e 70, majoritariamente dos besouros, é claro.

Descrever o turismo beatlemaníaco seria fácil e soaria óbvio, mas não é tudo em Liverpool. Músicos de rua fazem a alegria de quem passa no vai e vem de pés apressados. Perambulando pela noite à procura do hotel, após assistir a duas bandas na Cavern, achamos uma área mais underground que exploramos com maior dedicação no dia seguinte. Algumas construções antigas com portas e janelas lacradas lembravam um visu mais conhecido nosso. Sem perder o interesse no lado bom-moço da cidade, este seu dark side também é bacana. É a estética da tosqueira. Em alguns prédios, frases em letras de forma anunciam os dilemas da vida urbana pós-moderna. 6,8 million people live alone in England. Do you feel lonely? (6,8 milhões de pessoas vivem sozinhas na Inglaterra. Você se sente solitário?) É como se dialogasse com aquela canção que indaga assim: all the lonely people where do they all come from? (todas as pessoas solitárias, de onde vêm?). Em Liverpool a população passa de 460 mil habitantes. Em outra parede nova provocação: There are 3.951 people for every km² in this city. Do you like your neighbours? (Há 3.951 pessoas por km² nesta cidade. Você gosta dos seus vizinhos?) E assim tantas outras vimos. 

A cultura ainda pulsa forte por lá. Há museus, galerias de arte, além de muitas casas noturnas e espaços para curtir um bom som. Novas bandas surgem como a Clang Boom Steam e Tear Talk. Uma coisa é certa, ainda quero voltar lá e desvendar outras cidades dentro da cidade. E enquanto isso, no Brasil, Paul McCartney tocava no Mineirão.  

4 comentários:

Manoel Soares Magalhães disse...

Bárbaro!!!!! Queria mais!!!!

Pucci disse...

Hey Marcio,

thanks for mentioning Clang Boom Steam!

Did you see the band playing live? Where? Did you like it?

Greetings from Liverpool.

Márcio Ezequiel disse...

Hey, guys! Great music! Actually I have not seen you live. I was in Liverpool in April, having some fun beatle tourism, but trying to find something new. Then I found at the hotel reception a Bido Lito music magazine which featured an article about the band. So, comeback home, I searched the songs and found the excelent Worms and Clan. Strong vocal like Nick Cave, distonante it is like a soundtrack of underground road movie. Just cheapest impressions who do not understand completely, but really liked what heard. Greetings from southern Brazil.

Toby disse...

This is gorgeous!