22 de mar de 2013

Please, please me


Meio século hoje de lançamento do primeiro LP dos Beatles, Please, please me. Caetano se manifestou a respeito que na época considerou o som fraco e as letras bobas. Que o grupo era o Justin Bieber daquele tempo. Sem comentários. Ouvimos o mesmo do Menudo nos anos 80 e, enfim, o calendário que se encarregue das paradas que ficarão. 
O fato é que o disco é muito bacana e ainda agrada por apresentar grandes hits instantâneos que permaneceram. Quem não conhece a gaitinha de Love me do? Ou não curtiu a vida adoidado com Twist and shout? A verdade é que os guris se deram logo no primeiro vinil. Ask me why? Começa por ter sido quase todo gravado em um só dia. Das catorze faixas, quatro já haviam sido lançadas em dois compactos. O restante surgiu em quase dez horas de estúdio, completando os pouco mais de trinta minutos do bolachão.
O produtor George Martin, atualmente com 87 anos, queria algo o mais próximo possível de uma apresentação ao vivo para agradar aos fãs que já não cabiam no Cavern. A primeira música - I saw her standing there - abre com o famoso one-two-three-four, marca registrada do rock. A letra fala de uma guria com 17 anos que vira a cabeça do beatle numa festa. O apelo à juventude não era de graça. Rimava seventeen com you know what I mean, deixando a conotação sexual à imaginação. É, as letras não eram tão inocentezinhas assim. Claro que estamos falando de 1963 e por aqui o rock engatinhava chorando sem seguir a canção. A Jovem Guarda soltaria seus iê-iê-iês somente a partir de 65 e o tropicalismo do senhor Caetano só bateria macumba no final da década. 
Paul admitiu que naquela primeira faixa copiou o baixo de I´m talking about you, de Chuck Berry, de 1961. Não chega a ficar xarope, pois a maioria dos grupos britânicos, na época, gravava somente sucessos americanos e os Beatles, de saída, juntaram oito músicas das mais de cem que haviam composto. Please, please me, like I please you, que seria algo tipo “por favor, me satisfaça, como eu te satisfaço”, também polemizou com interpretações sexuais. Nada a ver, comentavam os músicos. A palavra please presente numa música de Bing Crosby intrigava Lennon desde criança. Já o vocal foi intencionalmente composto para soar igual ao Roy Orbison, porém, por orientação de Martin, a versão foi gravada mais acelerada ganhando a cara do grupo. O próprio Orbison só ficaria sabendo disso em 1987. 
A capa do disco cinquentão mostra o grupo no vão das escadarias da EMI. Dez anos mais tarde, em 1973, uma coletânea de 1962-1970 em dois volumes trazia numa das capas a foto no mesmo lugar e com mesma pose com os artistas mais velhos. No chamado blue album. 
Há outra curiosidade interessante. Para gravar Twist and shout Lennon teria que se mexer e gritar sem chance de errar, pois sua garganta já estava falhando. A versão saiu em take único, consagrando o timbre rasgado da voz que conhecemos. A música não era deles e já havia sido gravada um ano antes pelos Isley Brothers em interpretação inferior. Com ela encerravam os shows enlouquecendo a plateia.   

PS. E cinquenta anos depois ainda adoramos o tal disco e, claro, o quarteto inglês



Nenhum comentário: