3 de fev de 2013

Incompetência total

Quinta pela manhã ouvi um assalto em frente de casa. Alguém chamou os brigadas. Depois uma pessoa ficou buzinando no porteiro. No almoço, o sujeito que cuida os carros fez cara feia, porque eu não tinha moeda. O carro tá fazendo um barulho. A grade do prédio tem ficado aberta. E no fim de tarde outras coisas também normais aconteceram. Peguei telefone novo na operadora. Troquei os pontos. É bonzinho. Não tive coragem de comprar um modelo top que vi em oferta na internet. É contrabando, tá ligado? O.k., o certo é descaminho, mas sempre falamos errado mesmo. Essa é tipo aquela do homicídio culposo que sempre explicam que é sem a intenção de matar. E você pensando "eu queco", né?

Depois do luto, a sentença. A única coisa certa nessa vida é a autópsia. Exame preventivo é coisa de rico. Achar um culpado é a antessala do jeitinho brasileiro. Aliás, jeitinho, não. Jeitão. O estilo falcatrua está instaurado há cinco séculos. Somos sênior em enjambração. Pós-graduados em gambiarra. O problema é que às vezes acaba tudo errado. Dá tilt! Curto-circuito com acento! Sinto muito. Não dá mais! Somos eternamente responsáveis por aquilo que não cativamos! A quem culparemos na próxima vez? Calabar? Silvério dos Reis? Zé Dirceu? O dedo que aponta é o mesmo que pede perdão, sinal da cruz, amém. Mas nunca é com a gente. Nunca somos os responsáveis por patavina alguma. Durma-se com um silêncio desses. A responsabilidade está lá fora. E você? Nadica com isso. Eu sei. Também sou assim.
Lembro duma marchinha que o Juca Chaves cantava pelas narinas. "Quem é? Quem é? Quem é? Quem é o culpado? Quem é? Quem é? Quem é? É o deputado." Depois seguia rimando e subindo na hierarquia até chegar ao presidente. A voz do povo escreve certo por linhas tortas. Nunca somos os responsáveis. Na casa do menestrel a cara é de pau.
Judas! Vamos malhar o Judas na Sexta-feira da Paixão? Joga pedra na Geni, ela é boa pra cuspir. Maldita, Geni. Se houve falha humana, é só apurar. Tá na caixa preta. Somos o maior júri popular das causas perdidas. Só não sabemos procurar a causa de todos os males. Nós mesmos? O pecado nada original do brasileiro é chorar sobre o fogão lambuzado. Nenhuma gota de leite precisaria ser derramada. Que tal fazer as coisas direito dessa vez? Chega de variar!
O salário da picaretice é o calo na linha da vida. Eu não vou tocar no assunto que me levou a esse papo, mesmo porque tanto faz agora. Olhar para o fim é perder de vista os princípios. Olhar só para frente faz andar em círculos. É preciso parar de uma vez por todas com as tapeações. Tudo que fazemos é assim. Jeitinho daqui. Cabidezinho acolá. Lá vem o pato... Claro que este texto também é charlatonice pura. Também tô remando em marcha ré na sabonetice completa. É a morte de uma crônica anunciada. Ainda bem que tá no fim. Tô ensebando porque não tenho competência para dizer o que vim dizer.
E você com isso, né?!

Saiu no

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