1 de dez de 2012

Top top


Fiz um Top dos Beatles (vide post anterior). O desafio foi da namorada. Ela também fez sua lista e comparamos depois os resultados. Top lists enumeram situações, acontecimentos, personalidades e tudo mais que se pense em ordem de relevância ou sucesso. Quem não conhece os famosos rankings da Billboard? A revista americana publicou sua primeira listagem musical em 1936, com nomes como Bing Crosby, Billie Holliday e Fred Astaire.


Ao longo da história, muitos nomes se destacaram e outros ficaram de fora, nem sempre demonstrando mais do que um instrumento de divulgação da indústria fonográfica. O disco arranhado de repetições de famosos fazia vender mais, aumentando a popularidade num círculo vicioso de rotações por minuto. E quanto mais tempo permanecesse o artista nas primeiras posições, gerava novas listas e maior fama por conseguinte. Foi assim que Elvis alcançou o recorde de artista solo masculino que mais vezes chegou ao topo das paradas. Os Beatles, por sua vez, alcançaram a marca de banda com maior frequência na primeira colocação e (ai, ai, ai!) Mariah Carey é a representante feminina, na frente inclusive de Madonna. Há casos em que o próprio artista desbanca o seu Top 1 com outra canção. Feito realizado tanto por Elvis como pelos Beatles. E não é por acaso que, como compositores com maior quantidade de hits figuram em primeiro lugar Sir Paul McCartney e, em segundo, John Lennon.

Já os Top Ten do Late Show, de David Letterman, são famosos por elencar comentários sobre assuntos da atualidade. Compostos com o american way of fazer gracinha, algumas vezes funcionam, mas na maioria são sofrivelmente meia-bocas.

Claro que toda lista é injusta. Toda escolha é uma escolha de Sofia. Sabedoria de um lado do vinil e sofrimento do outro. Toda opção implica em renúncias infinitas. E mesmo assim temos esse impulso constante de elaborar nossas listinhas numeradas. Desde a pré-história, a seleção é natural. Escolher é parte do processo evolutivo. Escolhemos entre a árvore e o chão da savana. Rituais de caça e sucessos de dança da chuva. Optamos entre o nomadismo e a caverna própria. Escolhemos um deus e um diabo. Jesus também fez o seu Top 12 discípulos e mesmo assim não agradou a todos. Os dez mandamentos foi o primeiro Top 10 do regramento eclesiástico e os 7 pecados formaram o ranking capital da Igreja.

Com a internet atualmente não é diferente. Temos que peneirar a avalanche de informações e sempre ficamos com a impressão de que deixamos de ler, ver e ouvir muita coisa. E assim atualizamos em tempo real nossa lista de desconhecimentos.

Mas voltando ao Top 20 dos Beatles que fizemos lá em casa (e não deu para fazer com menos itens), tivemos diversas coincidências em número e grau com a clara tendência dela para as composições do Paul e minhas para as de John. Tudo com muito sofrimento e injustiças nas escolhas de ambas as partes.

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