8 de dez de 2012

Imagine




 
 
Hoje faz uma data que John Lennon foi morto. Remember? Ele estava com quarenta, mesma idade que tenho agora. Isso me faz pensar sobre a intensidade de tudo que o beatle maníaco produziu e o que ainda poderia ter feito. Talvez você discorde. Não será o único. Mas nunca saberemos. Muitos desconsideram sua carreira-solo que tem umas cachaças. Sem falar em toda a lengalenga de que a Yoko separou o fabuloso quarteto. Claro que não vou negar que a japa era um chiclete no couro cabeludo do jealous guy. Até no concerto do telhado da Apple ela tá lá. Sentadinha. Papagaio de submarino amarelo. Deixa pra lá, que pimenta no sargento dos outros nunca foi refresco. Até o Paul emitiu recentemente óbvia mas nada gritante declaração de que Yoko não seria culpada pelo final dos Beatles. Que John sairia de todo jeito e sem ela, não teria composto Imagine. No bombástico maio de 68, o casal lançou disco que ficou famoso pela capa e contracapa com os dois peladíssimos. Puro barulho e experimentações sonoras. Podreira total! Os demais integrantes do quarteto inglês morreram de vergonha. Já não se poderia falar do bem comportado conjunto de Liverpool sem levar em consideração o escandaloso membro que se expunha daquele modo. Trocadilhos inclusos. John se despia de si e da hipocrisia burguesa.
Outra foto que bombou mostra ele deitado em posição fetal (nu, claro) abraçado à Yoko. Vestidinha ela, dessa vez. A imagem foi feita algumas horas antes do assassinato e virou, conforme prometido pela fotógrafa, capa da Rolling Stones no mês seguinte. Talvez ele buscasse ainda pela figura materna. Perdeu sua mãe ainda garoto, que aliás sequer lhe fora tão próxima. E com o pai, pouquíssimo contato teve. No disco Plastic Ono Band, primeiro solo pós-Beatles, lançado em 1970, a faixa de abertura é uma das mais viscerais que já ouvi. Chama-se Mother e encerra com repetidos gritos primais de “Mama don´t go! Daddy come home!” A influência sobre o disco The Wall, (Pink Floyd), de 1979, está na cara. Inclusive com idêntica cena fetal (porém sozinho) do protagonista Bob Geldof no filme homônimo, lançado em 1982.  Em God, do mesmo LP, Lennon encerrava uma geração com a frase “The dream is over”. É power! E se não crê no que digo, escute ainda Gimme some true do álbum Imagine, de 1971.
Comprei semana passada livro recém-lançado, Cartas de John Lennon. É uma coletânea de toda correspondência encontrada pelo biógrafo oficial da banda, Hunter Davies. O jornalista britânico considerou para tanto qualquer bilhete, autógrafo ou anotação que encontrou assinado pelo cantor, que foram reproduzidos no volume com mais de trezentas páginas. John que chegou a cursar artes plásticas, desenhava em muitas cartas e postais que mandava. Fazia o mesmo em autógrafos e qualquer papel que lhe caísse nas mãos. Superbacaninha o traço. E traços é que não faltam na obra sobre sua relação com a tia Mimi, que o criou, com a primeira esposa Cinthya e com já citada Yoko. Algumas rusgas com Paul e jornalistas temperam. Tudo entremeado por comentários do organizador, que contextualiza a trajetória do artista até o que teria sido seu último autógrafo a uma moça no estúdio, naquela fria noite de 8 de dezembro, pouco antes de voltar para casa, onde o sonho acabaria.

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