9 de nov de 2012

Capítulo de História na Feira

Segunda Caravana de Escritores na Feira do Livro de Pelotas 2012.
Fotos:

Thedy Corrêa
Márcio Ezequiel (em terceira pessoa)
Cláudia Laitano
David Coimbra
Pós-evento, jantar no Bavária, que ninguém é de ferro - Foto: Garçom




Tenda Cultural da Feira do Livro lotada com gente em pé no fundão. Assim foi a recepção à segunda caravana de escritores que visitou o evento literário em Pelotas na última quarta. Tive a oportunidade de mediar a mesa (três mesinhas na verdade), composta por Cláudia Laitano, David Coimbra e Thedy Corrêa. Quem não foi, perdeu. Por quase uma hora e meia os conhecidos autores responderam às dúvidas do público e deste anônimo aqui.

O tema foi mídia e escritores. No quique inicial, ressaltei que os três têm na crônica sua principal forma de escrita e indaguei sobre o porquê da escolha desse gênero, dando a deixa para falarem de suas experiências de jornalistas, Cláudia e Coimbra, e de astronauta cibernético, caso do músico Thedy. Além do processo criativo comentaram também seus recentes livros lançados. Aliás, o David Coimbra discordou veementemente que seu último trabalho, Uma História do mundo (nada a ver com o filme do Mel Brooks), seja de crônicas, conforme apresentei no palco. “Eu escrevi o livro e digo que não é crônica”, asseverou o autor, fazendo me lembrar a ponderação de Mário de Andrade de que conto é tudo aquilo que o autor chamar de conto. Apesar do riso provocado, sabemos que não é bem por aí. Óbvio que os gêneros literários por vezes se confundem, mas sou preconceituoso literário, admito. Ainda rotulo crônica, conto, romance etc. A rigor, a maioria das chamadas crônicas do Veríssimo, por exemplo, são contos humorísticos com enredo, personagens e diálogos conduzidos pelo modo dramático da tipologia narrativa de Friedman. 

“Capítulos de História” nominou o David Coimbra. Rótulos à parte, dou meu carteiraço de historiador para sugerir que chame do que quiser então menos de História. No máximo crônicas históricas. O que por certo muitas vezes almejo fazer aqui nesse espaço. Só de sacanagem escreveu no autógrafo ao meu exemplar: “não é crônica...”, e rimos por fim.

Já o trabalho da Cláudia Laitano, Meus livros, meus filmes e tudo mais, (trocadilho nada infame da famosa canção Casa no campo) é coletânea assumidíssima de crônicas publicadas em sua coluna semanal. Encontra-se uma pequena lista de livros, filmes e discos após cada texto, indo além das fronteiras da própria capa, tanto por apresentar ao leitor as referências culturais da autora, como por servir de guia para outras obras. Em tempos em que estamos enfarados com tanta informação, trabalhos como esse servem de filtros temáticos. Daí o sucesso de guias como 1.001 filmes, 1.001 discos, disse a autora.         

Não posso esquecer ainda de citar o livro (com algumas inquestionáveis crônicas e alguns contos), do Thedy Corrêa. Livro de Astro-Ajuda, publicado em 2010, é o segundo título lançado pelo compositor que disse almejar ser um escritor consagrado como os seus dois colegas de mesa. Sua modéstia é verdadeira. O cara é gente fina pra caramba no trato com os fãs e leitores. Mesmo em situações de aperto não perdeu a elegância. Com linguagem muito simples o livro traz alguns “capítulos de história” da sua banda (Nenhum de Nós) e sua forma de criar e compor.  Cito um trecho: “De onde nasce a palavra? Que tipo de eletricidade-emoção coloca em foco o objeto da inspiração? (...) Como eleger-escolher entre tantas palavras despedaçadas pelo chão? (...) Talvez este seja o momento exato em que o verdadeiro artista se revela. Em que renuncia à condição de sofredor - ou abre mão de um transbordar de alegria - para transformar algo que pertence apenas a ele, seu sentimento, em arte.”

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