5 de out de 2012

Mumu em jotapeguis

Dizem que quando a gente sonha em outra língua é porque domina de fato aquele idioma. Já sonhei em inglês e nem por isso sou fluente na fala do titio Sam. Vai ver a gente imagina, no sonho, que tá falando mas não tá coisíssima nenhuma! Mais certo que seja um “enrolês”. Algo cheio de falsos amigos. Grande coisa! Olha aí... Como se diz o nosso “grandes cousa” in english? Big deal? Big deal! Pois há algum tempo eu pensava que seria literalmente um baita negócio se tivéssemos um chip ou aparelho auditivo que traduzisse instantaneamente palavras de outras línguas. Hã? Repeat, please! Porque a menos que se tenha vocação para Guimarães Rosa, ninguém vai aprender russo, japonês, alemão, javanês, escambau. Hay que ser cult, pero sin perder la grossura!

Poderíamos inclusive excluir do tal aparelhinho o inglês? Só por desaforo. By the way, inglês é igual facebook. Fútil, mas as pessoas querem dominar. Aí, quando acham que já aprenderam, acabam sacando que aquilo de fato não lhes servirá pra nada. Pra coisíssima nenhuma! Can you dig it? Big deal!

Eu até hoje muito pouco usei meu inglesinho trapalhão. Dei informações turísticas a um australiano em Curitiba e papeei com um japa lá na aduana do Chuí. Ele achou uma graça de eu perguntar sobre o Ultraman. Tudo bem... Também acharia bizarro se alguém no Japão me perguntasse sobre o Antônio Carlos Mussum. Bons tempos de um humor mais rasteiro. Hoje em dia todo mundo tem uma citação erudita na ponta do mouse. É Platão, Nietzsche, Veríssimos. Tchê, que saco! Não sai nota original desse samba?

Aliás, o tal humorista da Mangueira teve ultimamente um revival nas redes sociais. Aparece travestido de personalidades com a respectiva alcunha legendada para o seu “idiomis”. Já viu, né? Me diverti “horroris” com o Mussum Nirvanis. Cabelinho seboso do Kurt Cobain e tudo. Também pintou de Obamis, Guevaris e até metamorfoseado de presidenta... Roussefis, é claro. Dos trapalhões hoje acho ele o mais engraçado. Ganha dos vivos. É o cara! É o Joaquim Barbosa saltimbanco. Há vida após a “internetis”, fazer o quê?

Outra noite tive um sonho inédito. Bem diferente. É mais comum a sensação de termos um pesadelo recorrente ou déjà vu dormindo, mas dessa vez foi pré-estreia na bizarrice onírica. Sonhei algo realmente... novo. Estava teclando. Sim, com o Mumusis! Cutucou-me no feici pra teclarmos. Não lembro bem sobre o que, mas discorríamos “fluentis”. O que me chamou mais atenção foi ter sido meu primeiro sonho virtual. Meu inconsciente criou uma fantasia em qwertys, hehehe. O teclado era bem dizer igual. O a e o zê, à esquerda. O pê e o cedilha à direita. Botão de espaço no meio. Teclava, porém, tudo com “is” no final. Um viralzinho só pra bagunçar meu upgrade de sonhos.

Incrível como essas novas tecnologias mexem com nossa maneira de pensar. Pena que no fim, servem pra coisíssima nenhuma. Pra falar a verdade, estou bem desanimado com o tal facebookis. Falsos amigos, citações fúteis, monólogos em língua estranha. Só palhaçada. Acho que logo entrará em decadência igual ao Orkut e ao inglês.

Ao menos rememorou-se o Antônio Carlos para darmos umas risadas ainda. Cacildis!

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Um comentário:

Tassyane Nunes disse...

DEMAIS! Simplesmente!

Eu nunca sonhei em outra língua, logo faz sentido que eu só saiba falar o português. Hahahaha