20 de set de 2012

Mario Osorio Magalhães

Com licença, professor. A pauta estava aberta e fui chegando. Ocupamos esse mesmo espaço na coluna da página 5. Tu, nas quintas. Eu, nas sextas. Hoje, pela coincidente efeméride histórica, a edição saiu conjunta e, bueno, estamos aqui. Tava sem assunto para a crônica dessa semana. Foi quando tive notícias tuas. E sabes bem que ao cronista o mote chega assim. De supetão. Não adianta contrariar. É escrever e pronto. Fiquei pensando que tratamento dar ao assunto. Um tom acadêmico, biográfico ou literário? Falo do Mario historiador? Ou do cronista e poeta? Poderia ainda mencionar, com um tom lírico, a ventania que soprou. Talvez sequer tenha como separar tais coisas.
Mas o amigo está muito quieto. Dentro do texto é assim mesmo. Imagina... A gente fica meio sem jeito. Fica à vontade, puxa um parágrafo aí, a casa é sua. A crônica é a história do tempo presente contada com a prosa poética. És parte dessa história, Mario! Espera aí, deixa eu buscar umas fontes históricas e já já nosso papo fluirá. Tá aqui, achei uma entrevista recente, um livro de crônicas, mais um de poesia. E então? Vamos nessa?


Feira do Livro de 2011
 
Nascido em 1949 em Pelotas, certo?
“Eu nasci na Rua Tiradentes, no centro da cidade, muito próximo ao antigo prédio do Colégio Pelotense.”
Estudaste lá?
“Fiz a 1ª série do ginasial e repeti a 1ª série, pois não fui aprovado, porque o Pelotense era um colégio bastante difícil.”
 
Que beleza!
“Jamais fui aluno exemplar, em qualquer disciplina, no tempo do colégio.”
 
 
Tudo bem, nem o Einstein foi, hehehe. Mas correste atrás e ainda acabaste educador. Curtiste a experiência?
“Eu gostei muito da carreira de professor, apesar de no início ter encontrado alguma dificuldade, pelo fato de eu ser um pouco tímido.”
 
Timidez que nada! E a carreira acadêmica?
“Fiz a faculdade de Direito em Pelotas, me formei e depois fiz um curso de pós-graduação em Relações Internacionais, na Argentina… Depois, entrei na Universidade Federal de Pelotas, como professor de Direito.”
 
E o curso de história?
“Fui responsável pela fundação do Curso de História, mas já na condição de vice-diretor do Instituto de Ciências Humanas.”
 
 Aí te dedicaste ao estudo da História?
“Resolvi fazer Mestrado em História, para me dedicar inteiramente a ela, que era a área que eu gostava, foi lá por 1990, por aí...”
 
A dissertação foi publicada e virou referência, embora esteja esgotada. Mas publicaste vários outros livros, não é?
“Já tinha publicado um livro, desde 1979, numa segunda edição, no Instituto Estadual do Livro e já tinha vários outros livros, também, sobre a história de Pelotas, quando fiz a minha dissertação de Mestrado, sob o título: Opulência e cultura na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.”
 
E o Mario cronista?
“Toda semana eu tinha um artigo de meia página do Diário Popular, que também me fez desenvolver bastante o aspecto de escritor e ao mesmo tempo de pesquisar os mais diversos assuntos.”
 
Pois é, a conversa tá boa, mas sabe como é coluna de jornal. O espaço está acabando e ainda não tocamos em um assunto...
“A praxe recomenda que uma notícia de morte seja dada aos poucos, com muitas cautelas e alguns rodeios.”
 
Que morte, tchê? Não te contaram aquela que o “penso, logo existo” também funciona quando pensas na cabeça do leitor? Eu me referia ao Mario poeta que ainda não abordamos! Tenho lá o livrinho que me deste, com os teus poemas. Alguns da década de 70! Isso nunca finda!
“Guardo o meu sorriso constante, os meus sonhos na estante, meu ardor de vencer. Minha poesia feita e por fazer. Vivo entre os meus gestos esquivos, meus poetas, meus livros, sem saudades de amar.”
 
Bravo. E o vento?
“Ouço no teu zunido - ó vento taura que passa! A gente toda da raça proclamando na História o estribilho de vitória.”
 
Um resto de sonho ainda.
 
Continua...

Fontes:
HEINDRICH, Maria Leopoldina, Turismo e patrimônio cultural. Dissertação de Mestrado. Camboriú, UNIVALI, 2010.
MAGALHÃES, Mario Osório.Histórias aos domingos. Pelotas, Mundial, 2003.
MAGALHÃES, Mario Osório. Um resto de sonho ainda. Poesias. Pelotas, Mundial, 1993.

Publicado no Diário Popular

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