19 de ago de 2012

Criminologia e Rock



 
No início da noite, integrando o Seminário rolou o Sarau
Jurídico Literário, com participação do artista aqui e amigos. 
Ocorreu nesta sexta no Direito da UCPel o seminário Criminologia e rock. O encontro refletiu sob a perspectiva da criminologia cultural, o rock enquanto fenômeno subversivo que deu voz a discursos silenciados e visibilidade a comportamentos desviantes ao jeitão estabelecido das coisas. Rolou o dia todo, culminando com shows à noite.

O seminário coincidiu com o aniversário de morte de Elvis Presley. Na quinta fez 35 anos que o rei do rock partiu desta para uma pior. Pior pois se morrer já é ruim o que chega, imagina a turma não acreditando! É dose!

Voltemos às origens. Já nos anos 50, o gênero musical que balançaria o mundo como sinônimo de atitude contestadora nasceu de um paradoxo doméstico. Subproduto do welfare state (estado de bem estar), que prometia conforto e prosperidades de liquidificar os doces lares do Tio Sam. Ocorria uma acomodação da velha guarda, preocupada com a manutenção de seus valores. Aquele que não se adequasse aos p/arâmetros do modelito cultural vigente haveria de ser enquadrado ou enxadrezado. E foram os filhos dessa geração os primeiros que atentaram para o imobilismo em que se afundava a cultura de bem-estar.

Se à família valia jazer defronte a imensos televisores, a rebeldia logo atravessaria as telas (de cinema) para dar o seu recado. Cito rapidamente, de 1953, The wild one, (O selvagem), com Marlon Brando e, de 1955, Rebel without a cause, (Rebelde sem causa), que consagrou James Dean. Um ano antes, Elvis gravava o marco inicial do rock embranquecido, That´s all right!

Associar estes comportamentos de contestação com a criminalidade, não necessariamente no sentido penal do termo, mas ideológico, e sociológico, foi a primeira reação dos veteranos, ranço que ecoa em nossos dias. Crimes e pecados de uma geração podem ser vanguarda na próxima quebrada do tempo. Obviamente que, assim como rola com a religião, alguns movimentos que tiveram suas origens no rock resultaram em violência e morte, mas não há uma relação direta e exclusiva com o gênero musical, sendo muitas vezes fruto de ideologias outras, de extremismo ou fascismo.

Com isso não se nega a inconsequência das faixas etárias mais jovens, nem sempre conscientes da construção de seus próprios valores. No período clássico do rock não havia uma causa bem definida na música ou no cinema. O macartismo ainda grassava no coletivo inconsciente. Rebelde sem causa foi traduzido como Juventude Transviada no Brasil, e como Fúria de Viver em Portugal. As letras dos hits dessa primeira fase versavam sobre garotas, colégios e carros, apesar de por cá, com a Jovem Guarda, soarem estranhamente, pois o bem-estar alcançava carrões a pouquíssimos bem-nascidos. A semente da contracultura, contudo, estava plantada para as décadas seguintes que incluiriam o discurso paz e amor em suas canções. O resto da história é bem conhecido. Beatles, Stones, Hendrix, Morrison, punk rock e por aí afora. Entretanto, a violência e o crime não precisam de trilha sonora para existir.

Enquanto isso, Elvis morria sozinho na patente de sua mansão.
 
Publicado ontem no
 


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