30 de jul de 2012

Achados e perdidos II

11:29 p.m. Que tempos doidos vivemos! Tempos relativos e sem sentido. Tempos velozes e niilistas. “Nietzsche for speed” dizia uma figurinha que compartilhei no face dia desses. Tempo é espaço. E somos pontuais ao quadrado na perda de espaço-tempo. Vou avisando: se você não quer torrar seu precioso tempinho, não leia esta coluna agora. São três a cinco minutos que você poderia gastar em coisa mais útil. Ligue para alguém que gosta. Tome um cafezinho com o colega divertido. Jogue paciência spider.

23 e trinta e 6. Minhas crônicas raramente são escritas em menos de três horas. Dessa vez resolvi não queimar mais do que 30 minutos e termina-la antes da meia-noite. Nesta semana estou viajando a trabalho, pesquisando para um livro. Correria total. Não há segundo sentido a perder. Hoje nem café da manhã tomei. Foi barrinha de cereais e suco de caixinha na mochila. Fim de tarde passei nos sebos e rolou um pingado com queque. No Rio, todos cafés deveriam ser carioquinhas. No metrô, de volta pro hostel, pensava sobre o que narrar aqui. Lembrei daquela figura do trem na velocidade da luz para exemplificar uma viagem temporal. O tempo é flexível. A relatividade abobada do Einstein! Perda de tempo elevada ao quadrado, isto sim. Nunca entendi aquilo!

Vinte e três e quarenta e IV. Por que alguns relógios antigos trazem o quarto número em romanos com quatro palitinhos? Não terei tempo de catar isso na rede para inserir na crônica. Sorry, quero terminar o texto ainda hoje. Antes da última hora. Talvez não fique redondinho. Ao menos o pensamento sai mais puro. Matéria-prima da existência corre-corre pra ver quem chega primeiro ao mesmo lugar-comum de sempre.

23h e 50m. O tempo é uma construção humana datada. Não é o mesmo tempo de antigamente. Na infância havia mais horas no dia. As tardes eram longas. Hoje queremos mais em menos tempo. Hora do flashback: certa ocasião voltava da escola num dia chuvoso. Saquei o guarda-chuva de um sacolão de papel em que carregava alguns livros. Depois retirei do pulso, para não molhar, o relógio que o pai me dera havia poucos dias. Larguei na sacola. O papelão no fundo estava rasgado por aquela ponta do guarda-chuva. Advinha se não perdi o relógio? Aqui caberia bem um moral da história. Quando não se deseja perder tempo, é precisamente quando mais rápido se esvai. Ah, naquele reloginho analógico, o tempo passava diferente. Quem o teria achado? Não lembro como era o número quatro. Se normal ou em romanos com os quatro pauzinhos. Ainda não completei as linhas necessárias e o tempo está correndo.

Faltam dois minutos para acabar meu prazo. Evocar o relógio perdido tomou tempo.

Tá me dando fome! Podia parar um pouquinho para comer aquela barrinha que ainda está na mochila. Não. Preciso finalizar logo para dormir, que amanhã tem mais loucurada. Não acredito que você leu até o final!

Fui! Meia-noite e IIII.







2 comentários:

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Pois acredite, li até o final! E gostei muito. Anteontem à noite, já tarde, eu pensava no tempo e quis escrever um poema, mas desisti depois, porque não tinha o papel à mão e não quis perder tempo.
Espero encontrar um reloginho analógico pra ver se meu tempo passa mais devagar.
Abçs,

Bianca Pazzini disse...

Tá no meu top five! Demais.