8 de jun de 2012

Segura essa

Nada de rodeios. Vamos direto ao assunto. Sabe por que existem espetáculos envolvendo a exibição de animais enlouquecidos com um macho sapiens-sapiens trepado em cima? Não é só porque dá muito dinheiro a alguém. É porque você vai assistir. Você! É por isso que o espetáculo existe. Pense nisso quando for comprar ingressos. Pense quando estiver saindo de casa. Pense quando estiver se divertindo horrores.
Sabe aquela dos cinco macacos subindo numa escada pra comer bananas fazendo a turma tomar choque na jaula? Todo mundo sabe. Depois já não subiam mais e os cientistas - não contei que tinham cientistas? Pois é, havia cientistas sapientíssimos que substituíram um dos macacos no experimento. Quando o novo primata quis subir pra pegar uma bananinha, os demais o cobriram de porrada até que... advinha? Não subiu mais também.
Não. Não tô fugindo do assunto. Meu intuito é ressaltar o absurdo dos tais rodeios, mas o tema corcoveia feito bicho brabo. Diz que se trata de uma prática recreativa em que o peão deve permanecer por até oito segundos sobre um cavalo ou touro. E a galera aplaude. Delira. Ok, você nunca foi, nem vai. Tá bom, tá bom! Até porque deve ser dose ver homens vestidos de mocinho domando animais em estado de natureza. Mas tem muita gente que vai e acha lindo os valentões rosetando equinos e gravateando bezerros. Eu particularmente não curto. E nem discuto o apreço pela bestialidade, apenas a sua manutenção.
Pois depois substituíram o segundo e o terceiro macacos e a pancadaria continuou nas tentativas de alcançar as bananas. O pior foi que o primeiro animal trocado juntou-se no corredor polonês da macacada. Era o hábito local lá na jaula da ciência.
Essa coisa de rodeios é uma verdadeira papagaiada, com todo respeito aos papagaios. É uma babilônia cultural. A miscelânea é grande. A rigor não tem nada a ver. Cavaleiros, boiadeiros e vaqueiros. Ginetes, peões e cowboys só se igualam na montaria animal. E o mais estranho é que a gauderiada odeia de paixão, tanto a peonada paulista quanto a caipirada americana.
Em 2001 o presidente-sapiens FHC promulgou lei equiparando o peão de rodeio ao atleta profissional. Para tanto instituiu que sua atividade consistia “na participação, mediante remuneração pactuada em contrato próprio, em provas de destreza no dorso de animais equinos ou bovinos, em torneios patrocinados por entidades públicas ou privadas.” Tornava também obrigatória a contratação, pelas entidades promotoras, de um seguro no valor mínimo de cem mil reais para casos de morte ou invalidez. Do peão, claro. Tem outra lei paulista de 1999 que proíbe qualquer tipo de aparelho que provoque choques elétricos ou esporas com rosetas que contenham pontas, quinas ou ganchos perfurantes. Conversa pra boi dormir. Se o animal salta em desespero é porque sofre tortura. Diversas cidades brasileiras já proibiram a prática de montar, correr atrás e laçar animais. O show tem que acabar! E vai. É certo, mas enquanto isso, você ficará aplaudindo a papagaiada?
Por fim trocados os cinco macacos, todos batiam e ninguém mais comia as bananas, sem nunca terem levado um choque sequer. Simplesmente porque já era assim quando chegaram. E os cientistas concluíram que os macacos são muito abobados.

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