18 de mai de 2012

Projeto Dark City


Há alguns meses pensava em um projeto para aproveitar os holofotes do bicentenário de Pelotas. Então tive um insight às avessas. Uma ideia de pegar a contramão da luz no túnel da história e jogar um facho dark na festa. Organizo agora um volume com textos de escritores e pesquisadores conhecedores da cidade, versando sobre figuras populares e excluídas. Procuro aspectos pouco trabalhados. Marginais e malditos. Não o caricatural, mas o grotesco. Não o anedótico, mas o bizarro. O trabalho também será ilustrado com fotografias fugindo do convencional postal arquitetônico. Já distribuí alguns cliques por aí juntamente com Leonardo Brasiliense. Nas imagens não haverá pessoas - pois serão as figurinhas do livro. As figuraças, entretanto, habitarão os textos.


E assim pintou um título: Dark city, figuras & figuraças de Pelotas. Carrega a referência ao film noir Dark city, de 1998, no qual o protagonista com amnésia, numa cidade em que é sempre noite, procura reconstruir seu passado. Vem ainda somar-se à excelente sacação de Paulo (Torrado) Momento, que além de produzir por aqui há uma década festas underground com o mesmo nome, andou de câmera em punho captando a elegância decadente do porto, aplicando o dito termo inglês. Achei oportuno ao registro desse lado sombrio e gótico da Princesa, um viés enviesado que se deseja esquecido e ignorado por muitos e é justo o que precisa ser documentado. O resto já foi dito.

A diretriz para o texto é que seja breve, algo entre três e cinco laudas, focando apenas um personagem, no estilo crônica-histórica, sem formalismos acadêmicos, citações e referências. Não há limitação temática ou de personagem. Exceção óbvia para assassinos, estupradores e fascistas, mantendo compromisso com a veracidade e autoria dos textos.

Tenho sido assombrado por vozes que querem ser ouvidas. Há histórias de fracassos para contar. Vamos montar a anti-história de Pelotas. Visceral. Sem medo de ser infeliz!

A história dos excluídos, dos escravos, dos esquecidos, dos bêbados, dos poetas, dos mendigos, das prostitutas, dos malucos, dos doidões, dos homossexuais, desses que também foram gente. E gente como a gente sabe que eles precisam ser lembrados.

E daqui a 200 anos, se cumprirmos a missão, eles estarão lá ao lado do charqueador, da baronesa, do coronel e tantos outros que a historiografia oficial cuida em registrar - o que não retiro qualquer mérito, embora a proposta aqui seja diversa.

Não é tarefa fácil, porque são personagens que não achamos biografias prontas no Google. De antemão aviso que não ofereço pagamento, pois sequer tenho patrocínio para publicação. Depois a gente vê ou faz algo na maloqueirice da Marca Diabo.

Alguns nomezinhos que já estão conosco: Manoel Magalhães, Mario Osorio, Caiuá, Lúcio Xavier, Marcos Macedo, Vitor Biasoli, Anderson Reichow, Francisco Antonio Vidal, João Félix Soares Neto e Luis Marasco. Selecionarei os textos até meados de junho.

Mais informações, contatar pelo endereço falaezequiel@gmail.com


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