14 de abr de 2012

Sexta-feira 13 2.0

E lá vamos nós. Outra sexta-feira 13. Este ano tem três, já falei de uma em janeiro. Agora bato mais uma vez na madeira e em julho será a última, que promete ser a pior. No forte do inverno, já pensou? Não dá pra dar chance pro azar é o que dizem. O problema é que sempre dá algo errado.

A relação azar-sorte é mais uma daquelas dualidades que nos fazem pensar que o lado negro da força acaba vencendo: vida versus morte, casamento versus divórcio, o bem e o mal, verdade e mentira (que na verdade podem ser sinônimos), política e corrupção etc. Mas não podemos desistir. Luta-se a guerra até o final, porque bem nos finalmentes todos sempre perdemos. É dureza, porém, mantenhamos a ternura e a elegância. Nada de derrotismo ou faniquitos. Tô falando de boa, ou alguém acha que vai sair vivo dessa vida?

O tal dia macabro tá aí e um monte de zebra vai pintar como em todos os outros dias. Pessoas vão ficar resfriadas, outros terão dor de dente e, infelizmente, alguns morrerão. Calma, não se assuste! Nada de paranoia. Lembre-se: acontece todos os dias.

Estamos sempre no mesmo barco. É o Titanic da existência. Fazemos festa, bebemos, jogamos, dançamos, tocam Celine Dion ouvido abaixo e o povo chora. O iceberg velho, contudo, tá lá fora. Friozinho. Esperando. Não dá nada! Aproveitemos a travessia de braços abertos.

Semana passada bateram no meu carro. Do nada. Na contramão e de ré, embora seja um tanto inverossímil descrever a manobra. Rasgaram a lateral, destruindo duas portas do auto. Se fosse um navio eu tinha naufragado. E pior, foi uma viatura da Brigada! Sacou? Socorro! Pois é! Vá reclamar pro bispo! Como você acha que me senti? O mais azarado do mundo! Depois avaliei que se estivesse de “bike” ou a cavalo, tinha ido ter com Jesus na Sexta-feira Santa. Então me achei o mais sortudo. Viva Pollyana! Por isso eu digo: "Obrigado, Senhor, pelo sorriso. Obrigado, Senhor, agradeço. Obrigado, Senhor. Mais uma vez...". "Para nossa alegria!".


Tudo depende do ponto vista e do ponto cego. Às vezes não enxergamos ou não queremos enxergar. Pode encher o camburão de espelhos, de figa, de crucifixos e ferraduras. Aliás, não aconteceu nada com o veículo oficial. Ninguém se machucou e nenhum espelho foi quebrado. Acho que está na hora de revisarmos os conceitos da sexta-feira 13. Tá na moda a versão do dois ponto zero pra tudo. Na verdade (noc-noc-noc, que medo!) a turma usa o lance da superstição do mesmo modo que a religião. É a mesma tentativa de explicar os infortúnios como se fossem regidos por alguma força superior externa, isentando-nos da grande verdade (já me desculpei por usar o dito termo, né?) de que estamos entregues ao caos. Nau de eventos num oceano com toda sorte de possibilidades, nem sempre as mais agradáveis.

Pois então vamos quebrar os espelhos. Vamos dar toda a chance pro azar! Chega de pés de coelho e trevos a quatro. Vamos passar debaixo de escada. Vamos soltar o Manson, só pra ver o que ele faz. Correr atrás de gato preto (não maltrate os animais). Eu vou deixar o chinelo virado no meio da sala. Vou catar moedas na fonte. Vou comer uva com melancia. Dizer o que não presta. Eu vou roubar bala de mel da urucubaca dos outros. Jogar pedra na cruz. Que tal passear no cemitério de noite com uma vela na mão. Uhhh! Arrepiou o cangote? A gente fica receoso de falar tais coisas, não é? Pois faço a provocação por isso mesmo. Veja quanta bobagem pensamos por nada. E sofremos. E morremos de medo. Adoramos meter o terror, mas depois ficamos com medo de olhar pelo retrovisor debaixo da cama. E o pior é que acabamos guiados pelo que não entendemos. Mas respeitamos. Vá que seja... verdade.

Vou arrumar a caranga e mandar a conta pro tio Tarso. Com alguma sorte, talvez role um precatório pra trocar por um 2.0. Hein?!

Publicado no Depê, ontem

 

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