21 de abr de 2012

Des-cobrimento



Descobrir é mostrar, revelar o que está encoberto, oculto, mas que já existe em algum lugar do chamado real. Não se pode descobrir o que não existe. Não se confunda com inventar, que foi o que ocorreu com o avião, o relógio e a televisão. Não existindo o avião, Dumont ou os dois gringos aqueles, sinceramente tanto faz, inventaram-no, embora os aeroportos ainda não funcionem direito.

Tivesse a televisão sido “descoberta” tão logo fosse plugada à tomada, mostraria ao telespectador que no domingo não há o que ver, fazendo muitos ir à missa. Fico pensando sobre o que inventaram primeiro. Se a TV (emissora) ou a TV (aparelho televisor)? O seletor de canais com certeza foi uma necessidade posterior, quando a concorrência liberal alcançou o mundo televisivo.

Atualmente, quando pagamos pelo sinal e temos várias estações, não temos tempo ou paciência de procurar algo que preste. Zapear é termo arcaico de domingo a domingo. Procurar o quê, se metade dos canais vende relógios, anéis e espelhinhos e a outra passa nos dando sermão de bispos e missionários? O relógio de pulso, dizem, foi obra do Santos Dumont para facilitar a consulta do tempo perdido em seus voos no 14-Bis. Atualmente encontramos até televisores nos aviões.

Depois deste sábado (21) será domingo. Dia 22 de abril, além do aniversário de minha irmã (parabéns, ligo depois), é a data do descobrimento do Brasil. Quase não se fala mais da efeméride. De fato nem tem tanta relevância histórica para nós, se considerarmos que fomos inventados como brasileiros. Nossos irmãos são cruza de lusitanos interesseiros, deportados pela inquisição, nativos canibais que nunca foram índios e negros escravizados, capturados e vendidos por seus próprios afrodescendentes. Que caldinho! Somos o país mais cara de pau do mundo e nem ficamos vermelhos. Tanto faz! Brasil vem de brasa, mora? Referência à cor da madeira que motivou as primeiras explorações.
  
Mas o termo realmente me parece correto: descobrimento. Discute-se ainda se Cabral e sua turma eram tão portugueses assim a ponto de se perderem Atlântico afora, dando com os burros em terra firme. O historiador Boris Fausto sugere, em edição recente de sua História concisa do Brasil, que de fato eles se dirigiam às Índias, sendo arrastados pelas correntes marítimas. É ruim!

O Tratado de Tordesilhas foi assinado pelos portugas e castelhanos seis anos antes para dividir o quê mesmo? Dentre os que firmaram o documento estava Duarte Pacheco Pereira, navegador e membro da guarda pessoal do rei, que sairia em expedição pelo Atlântico-sul em 1498, reconhecendo o território dois anos antes da descoberta oficial. A primeira missa foi celebrada em 26 de abril de 1500 e a frota cabralina zarpou para as Índias imediatamente, com exceção da embarcação que voltou a Portugal com a carta de Caminha.

Descobrisse você uma terra nova cheia de encantos mil, não ficaria mais tempo? Ainda mais depois de um mês viajando sob condições terríveis. Não vieram de avião, ora pois! As caravelas eram imundas, cheias de ratos, com comida estragada e água choca para beber e sabe o que é pior? Não tinha TV a bordo! Agora tanto faz.

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