14 de jan de 2012

Sexta-feira 13

Este ano teremos três sextas-feiras 13. Sabia que existe até nome para o temor à referida data? Parascavedecatriafobia. A maioria gosta. Adora uma superstição. Cultua o medo. Talvez por isso os adolescentes curtem tanto filmes de horror. Não se sabe ao certo quando e porque começou a fama do dia de azar. Especula-se que suas origens reportem até o gênesis.  Logo depois da Criação, reza a bíblia, o Todo-Poderoso descansou no sábado, o que nos faz pensar que a véspera não foi muito fácil. Já na sexta seguinte, faça as contas, foi o primeiro décimo terceiro dia. Não podia dar boa coisa. Adão não tinha o que fazer. Eva também não. Baita tédio no Éden.
Sem redes sociais ou shoppings. Consegue imaginar? Programação de final de semana só com Animal Planet ou música gospel dos anjos. O resto da narrativa você conhece bem. Pomo de Adão. Folha de parreira. Freud, totem e tabu. O senhor e senhora sem umbigos devem ter considerado um tremendo azar darem papo pra serpente, que além de fofoqueira era trapaceira. Acabaram despejados do Paraíso.
O novo testamento também serve de base para a tese do dia agourento. Sabe a Última Ceia? Visualiza aí o quadro do Da Vinci. Jesus rangueando com os discípulos. Quantos havia na mesa? Treze. Dentre eles o trapaceiro Judas. Resultado, um Cristo morto e transpassado por uma lança numa sexta-feira. As fontes do dia macabro, contudo, não se restringem à cultura judaico-cristã.
Sexta-feira em inglês, Friday, deriva de Frigga, deusa do amor, esposa de Odin na mitologia nórdica. Tá ligado que em espanhol, o sexto dia da semana é Viernes? Sim, também em homenagem à deusa em sua variação mais conhecida nossa, a Vênus romana. Conforme o mito pagão, Frigga era mãe de Balder, divindade que profetizava a própria morte. A deusa então o protegera, conclamando a tudo e a todos para que nada o ferisse. Foi aí que Loki, o deus trapaceiro, disfarçou-se de mulher e foi tentar Frigga, que inocentemente contou a vulnerabilidade do filho. Somente o visgo de uma determinada planta o faria sucumbir. O resultado foi uma lança embebida no tal sumo, transpassando-lhe o peito durante um banquete servido a doze deuses, além do próprio Loki. Somava-se novamente treze presentes numa ceia, sendo um filho de deus sacrificado.
Para que Balder ressuscitasse, todo olho deveria derramar-lhe ao menos uma lágrima. Mas Loki, representante do mal, negou-se a participar do pranto coletivo. Passaram assim a aguardar seu retorno, que após uma catástrofe apocalíptica governaria um mundo admiravelmente novo. As coincidências ajudaram na aceitação do cristianismo pelas tribos nórdicas. Frigga, segundo a crença, seria banida para uma montanha como bruxa, de onde, toda sexta-feira, amaldiçoaria os humanos, reunida com outras onze feiticeiras mais o Capeta. Fez a conta?
Quantos mesmo? Pois é. Que medo! 

Publicado dia-ontem no DP










Um comentário:

Gisa disse...

13, pois é. Olhando assim para o número, temos ideias positivas, apesar dos pesares...
:P
Um bj professor e bjs para a Bianca.