21 de jan de 2012

Ignorância consentida

Falam tanto do conhecimento acumulado. Da sabedoria ancestral. Agora quero destacar um outro cabedal, que não tarda ao leitor perceber seu poder de propagação e reprodução rumo à posteridade. Refiro-me à Ignorância Universal. Uma falta de cultura milenar. Arraigada. Consolidada, que permeia o tempo, geração após geração.

Estamos na Idade Média. Ainda orangotangos... sempre orangotangos. Passamos fome. Frio. Roubamos. Matamos. Estupramos e pedimos nota. Tá bom, deixemos os orangotangos fora disso. As principais perguntas da humanidade não foram respondidas: de onde viemos? Qual o sentido de tudo? Existe vida após a morte? Há um Deus? Por que é tão difícil conseguir uma vaga para estacionar no centro?

O filósofo avisou “só sei que nada sei”. Desde o insight socrático nada pintou de novo. E continuamos boiando. Segundo Montesquieu, "a ignorância é a mãe das tradições". Já para o bodoso Paulo Francis, Deus o tenha, o tal instituto seria a maior multinacional da parada. Isso que ele não chegou a pegar a idiotização internética em seu esplendor com as redes sociais. Com a informática, acelerou-se a disseminação da desinformação. É a ignorância artificial.

É covardia. Dá de dez a zero na sabedoria. É uma entidade. Uma deusa astuta. Matreira. Dissimulada. Se precisar usa até óculos. Faz caras e bocas de intelectual. Posa de pensador na privada. A ignorância apropria-se do conhecimento e o deturpa, banaliza, reduz. Assimila tudo ao seu universo de desconhecimento e mal-entendidos. E sabe o que é pior? Não tem como escapar. Com seus tentáculos de Leviatã anticultural, alcança-nos onde quer que estejamos. Nem adianta isolar-se da informação, pois é nas sombras úmidas da alienação que tem seu principal habitat.

E o Big Brother, hein? Tá vendo? Grande parte do público não sabe o significado literal da expressão. “Você precisa aprender inglês”, cantava Caetano. A maioria nunca viu 1984, o filme. E por acaso você leu o romance de Orwell? Eu não. A ignorância é suprema. É onisciente, onipresente, onipotente. 
 
 
Eu não quero saber do BBB, da novela, da piscina, da margarina, e muito menos da Luiza que foi pro Canadá, mas a informação sempre chega. Essa semana ainda teve o tal lance do estupro. Não. Não vou contar, que não estou aqui pra colaborar com a ignorância de ninguém. Por falar em estupro, outro dia vi que o VOLP - Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa - traz a famosa variação popular “estrupo”. Verdade!

E olha que a dita listagem de palavras, com mais de 380 mil termos, é obra da Academia Brasileira de Letras. Agora tá liberado! Pode falar sem medo de errar. Qualquer hora incluem “menas”, “vrido”, “partilera”. Sei que a linguagem é viva e construída a partir do uso e da fala, mas convenhamos... estrupo é o que fazem com a gente quando recebemos tanta bobagem que nos mandam pelos tubos. Relaxa e aproveita.


3 comentários:

Gisa disse...

Gozo.
Desculpa! Não resisti!
Afinal a Marta é a Marta e também não vou explicar mais nada!
Bjs para ti professor e para a Bianca.

Gisa disse...

Voltei só para lembrar do Michel Teló e vou embora como a esfinge.
Mais bjs para os de costume

Anônimo disse...

Não deixe de ler o 1984!!!! Apesar de deprimente, é uma bela obra.
Mas que orgulho para a Isa, hein?!?!
Grande abraço.
Reinaldo Rigo