31 de dez de 2011

Retrospectiva de escritor

Todo final de dezembro a imprensa nos mostra o retrospecto do ano a que damos adeus. Eu sinceramente não curto muito. Acho meio down. Sempre lembram as guerras, os desastres naturais e os artistas que se foram. A realidade faz cara de drama quando vestida de nostalgia. A foto da folhinha velha é desbotada.

Talvez fosse proveitoso fazermos nossa própria reflexão sobre as batalhas e os desafios pessoais. E que não valesse enfatizar somente as catástrofes e sim registrar os filmes vistos, as obras lidas, as amizades conquistadas.

Não assisti a muitos lançamentos este ano, mas Cisne negro e Meia-noite em Paris valeram o investimento. O Liberdade foi o documentário do ano em Pelotas. Sensacional!

Vou puxar agora pro meu assado. Você seria capaz de listar todos os livros que leu durante o ano? Sim ou não, nunca lemos o bastante e prometemos mais para o ano que vai nascer.

As listas dos mais vendidos em 2011 são de outro mundo. Se a classe média aumentou seu poder aquisitivo para a leitura, ainda não sabe escolher bem os títulos da cabeceira. Padre Marcelo que me perdoe. O religioso publicou o livro mais vendido do ano no Brasil! A dona Zibia também vendeu horrores. Isto sem falar em vampiros e cabanas. Tudo muito assustador. Mas não quero discutir religião. Hoje não.

Alguns imortais infelizmente se foram. Gonzalo Rojas, Scliar e Sabato bem no início do ano pararam definitivamente de escrever. Publiquei crônica aqui, fazendo estes dois dialogarem como bons amigos no além. Há vida após o texto.

No primeiro trimestre organizei e ministrei oficina de escrita. Formamos um grupo bacana estudando os gêneros breves - crônica, conto e miniconto. Toda sexta, analisamos textos clássicos de autores consagrados e compartilhamos catárticas leituras do material produzido. Algumas amizades começaram ali com certeza.

Em meados do ano foi publicado o volume Histórias de trabalho da Receita Federal, resultante do concurso que idealizei junto ao órgão para resgate e registro de sua memória institucional. Também estreei o podcast Terapia literária na RadioCom, no qual comento ou leio trechos de algum conto ou poema famoso, quando não arrisco algumas linhas desta página.

Em agosto participei pela primeira vez da Jornada Literária de Passo Fundo. Foi demais! O evento é rico e instigante. Lá pude ouvir autores como o veterano Ignácio de Loyola e o talentoso Vitor Ramil. E foi justo lá que achei uma amizade, daquelas que parece sempre ter existido, o historiador e cronista Vitor Biasoli. De volta, por aqui, conheci, não por acaso, o também historiador e cronista Mario Osorio.

No último trimestre publiquei o livro de crônicas Leia antes de jogar fora, autografado em lançamentos respectivos na capital e em Pelotas. Recomendo. Baita leitura de cabeceira!

Por fim, avalio o ano como produtivo e agradeço ao leitor assíduo e paciente desta coluna. Que em 2012 façamos ainda mais amizades e leiamos muito, muito mais!

Publicado ontem:

3 comentários:

Mario Gayer do Amaral disse...

Bela retrospectiva, meu amigo. Eu também fiz parte dela no papel de teu aluno e colega historiador. Fiz também a minha pra distrair. 2012 está esperando a gente e espero que em breve nós nos encontraremos naquele sebo Monte Cristo junto com o Max e com as gurias, eheheheheh!!!

Um grande abraço e feliz 2012!!

São os votos de Mário Gayer do Amaral

CESAR CRUZ disse...

É isso aí, parceiro de letras, também me sinto mal ao ler e assistir a tanta coisa ruim ao fim de cada ano.

Quanto à sua crônica-balanço-2011, gostei muito e talvez o copie, mas, se o fizer, farei justiça e darei crédito a vc. Vamos ver se rola! Aliás, aguardo aqui em SP a chegada do meu exemplar do "Leia Antes de Jogar Fora"!

Abço forte e bom 2012.
Cesar

Joice disse...

Caro márcio, aprecio toda sexta-feira sua coluna no diário popular.Você tem o estilo do meu escritor favorito: o imortal Machado de Assis.
Gosto da maneira como descreve o mundo e as pessoas, me identifico com sua forma de se expressar.
Parabéns pelas suas crônicas, que são puras,simples e fascinantes.
Continue assim por favor, suas palavras com certeza ajudarão alguém a sair da ignorancia que permeia num mundo que não lê um bom livro, não houve música boa e fecha a mente em coisas tolas e fúteis.
De: Joice Ribeiro, leitora do Diário.