12 de nov de 2011

Um mais um



Dia 11 de 11 de 11. Adoramos números. Semana passada tratei do número sete, por ocasião de alcançarmos sete bilhões de indivíduos sobre a terrinha. A data desta sexta-feira (11) faz pensar na soma de um mais um mais um mais um que totalize algum significado na existência. Queremos acreditar em algo. Defender alguma bandeira. Mesmo os que acreditem em nada o fazem com fiel militância.

O que me chama atenção é a gama de associações de carteirinha que estamos sempre dispostos a integrar. Clubes, agremiações, paróquias, congregações, partidos, sindicatos, milícias. As pessoas têm a necessidade de se juntar em comunidades. O sentimento de pertencer a um grupo torna o indivíduo mais seguro. Somando individualidades, busca-se uma comunhão total (ou parcial) de bens culturais.

Desde quando ocorre isso? Desde sempre... A união em bandos é pré-histórica. Tal característica faz parte do mundo animal e foi no homem que ganhou maior força e expressão.

E se a união faz alguma força, foi assim que nossos antepassados cabeludos conseguiram sobreviver às intempéries e desafios das cavernas. Sem um espírito de grupo seria impossível matar um leão ou um mamute branco. Como ergueríamos sozinhos uma pirâmide? Ou suspenderíamos jardins? Nem debaixo da chibata. Mesmo escravizado o homem cedo ou tarde se reunirá em quilombos.

Em nossa trajetória pessoal, de pequenos somos criados para este comportamento associativo. Na escola acomodam-nos em turmas. Os trabalhos são de grupo. E se nossos pais acreditam que optaram por nossa escola (pública ou privada, religiosa ou laica) de acordo com suas condições econômicas, isso só foi possível por determinados valores culturais oriundos de outra segmentação, a social. As escolhas desdobram-se assim em infinitos prismas no caleidoscópio caótico de nossa vida. Caótico porque não temos tanto poder de escolha assim. Alguém escolheu nascer? Ou escolherá a coroa sobre o próprio esquife? Uns dirão que sim. Outros, não.

Em nosso tempo, o discurso é o da individualização. O homem gostaria muito de ficar só. De se isolar. Mas não consegue. Ninguém é sozinho. Logo se identifica com os solitários, solteirões, misantropos. Plurificando sua solidão cai novamente na teia do um mais um mais um.

Assim vão surgindo tribos, categorias, gangues e até máfias. E logo, por oposição, a grama do grupo vizinho será considerada a mais verde. Toda panela é de pressão, quando a tampa está fechada. O que detona com a humanidade não é a existência de organizações e sim a diferença que surge entre as catrefas.

E neste exato momento enquanto você lê este texto, queira ou não compõe o grupo dos que o leram até o final. E em onze segundos tomará partido entre os que gostaram ou não. Talvez indiferente. E eu, sozinho, nada posso fazer quanto a isso.
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Um comentário:

Gisa disse...

A necessidade de ser plural faz até que pessoas únicas desenvolvam outras dentro de si próprias apenas pelo capricho de ter alguém para conversar mais de perto.
Outro pensamento: Márcio, nunca foste um homem pré-histórico...
Um grande bj e bom domingo professor.