20 de nov de 2011

Doideira Consentida



O computador é a nova máquina de fazer doidos. A antiga maldição antes aplicada à televisão ganhou novo suporte. A panaceia eletrônica é o ópio do novo pobre. Do Jeca Tatu globalizado ao Zé Buscapé com blog e myspace. É TV a cores debaixo da ponte. É brincadeira! O sujeito não tem um livro sequer em casa. Não compra um disco original faz anos. Nunca vai ao cinema ou teatro, mas tem preferência pra tudo nas características apresentadas na rede social. Estandarte do sanatório personalizado e individual.

Até padaria já tem site e aceita cartão. Se não tiver pão, que digitem brioches no mecanismo de busca. É um circo virtual. Se a velha telinha há décadas idiotiza mais do que instrui, hoje temos computadores de mesa, cama e banho para nos entreter e prestar o desserviço. E a turma pira geral. É só bobagem. Não vim aqui achincalhar o homo windows ou mexer na maçã de ninguém. Até porque No Orkut dos outros é colírio, conforme título de um livro que tenho. Quero antes colocar a loucura em evidência. A bobajada em caps lock. E aposto na estupidez humana. É dez a zero. Ainda somos orangotangos... É fato consumado. Sem apelação, nem moralismo. Apenas sinto uma descrença pacificada na cultura humana. É reflexão periférica, admito. Rasteirinha pra dançar. Só no sapatinho!

Quanto mais acessamos a informação mais tolos nos tornamos. Autômatos. Somos fantoches wireless. E não há antivírus que nos imunize da idiotice desvairada.

A avó do computador já era assim. Com a calculadora, desaprendemos a dividir com vírgula. Os editores eletrônicos de texto deseducam regras básicas de etiqueta gramatical. A culpa é sempre da máquina. É erro de digitação, nunca ortográfico. Libera o novo homem para pensar o conteúdo, sem as preocupações formais, dirá o leitor-usuário. O que vale é a intenção. E se escrever com esse em vez de cedilha, o cabeção eletrônico se desdobra daqui, põe minhoca dali e propõe a grafia correta.

O problema é que de boas intenções a internet está cheia. E no festival de besteiras que assola o mundo somos os campeões de audiência. Temos horóscopo on-line, cassino virtual, site de novelas. Blogs de piada e dáblio, dáblio, dáblio de gente nua, que, afinal, ninguém é de ferro.

E quem não precisa de uma navegadinha na vida alheia? Fazer download de fofoca de artista? Viu que o médico do Michael Jackson se enrascou? E o ministro aquele... como é mesmo o nome? Tá todo enrolado. Informação é tudo. Outro dia um guri morreu na frente do computador. Que horror, hein?!

A tecnologia avança porque vende mais ou vende mais porque avança? E a culpa é de quem? Dono da emissora? Do webdesigner? Do blogueiro? Ponho minhas fichas na futilidade universal. Se tem quem poste e tem que acesse tanta asneira, talvez a máquina já tenha criado sua própria comunidade de doidos.


Publicado no diário, sexta passada
 


Um comentário:

Gisa disse...

Comunidade fiel que, por sinal, nem nós escapamos. Um bj