14 de out de 2011

Sobre a Marca Diabo

Reunindo algumas crônicas publicadas aqui nesta coluna, lancei novo livro, Leia antes de jogar fora, esta semana em Porto Alegre. Calma, leitor amigo. Na próxima sexta-feira (21) será a vez de Pelotas, o que logo divulgarei.

O mercado editorial é uma seita. Sem um pacto com o demônio do capitalismo, nada feito. É mandinga. Só pode ser. Ou o escritor faz o tipo showman literário, o Joker, o palhaço, o Coringa ou dificilmente terá seu trabalho aceito por uma grande editora do circuito comercial. Como não existe lanche feliz de graça, nas pequenas e médias casas de impressão, pagando bem até rola, mas tem que entrar na fila de edição. Ansioso que sou e provocado pela velocidade de nossos tempos, optei pela produção independente, criando selo próprio. Coleção Marca Diabo, pela Evangraf, editora da capital.

Por que Marca Diabo? A história é conhecida. Não custa nada relembrar. Uma das empreitadas de Simões Lopes Neto como empresário deu-se no ramo tabagista. Deu-se, aliás, muito mal. Considerado por muitos o maior regionalista do Sul do Brasil, o contista pelotense não tinha no tino comercial seu maior potencial. Contudo, em 1901, portanto há um século, registrava sua fábrica de cigarros como Diavolus.

Anunciando na imprensa local com detalhado informe, garantia ao consumidor qualidade e disponibilidade de fornecimento em quaisquer quantidades ao comércio. A redação impecável sugere lavra do próprio escritor. No logotipo das embalagens, a figura do capeta, a passos largos, carregando um cartaz com a seguinte inscrição “Fumos e Cigarros” e abaixo trazia “Marca Diavolus Registrada”. Diz que a campanha logo assumiu o slogan: “Peça sempre a Marca Diabo”.

A aceitação popular foi enorme. Até então havia três marcas de cigarro em Pelotas, todas com nomes de Santos. A Igreja reagiu rapidamente, pregando que aquele que levasse o Diabo no bolso, a soltar fumaça pelas ventas, seria excomungado, a começar pelo próprio fabricante. Boato ou não, a infernal ameaça correu solta e a difamação pegou fogo. Queimado a torto e a direito, o empreendimento foi esfumaçando-se até virar cinzas ainda nos primeiros anos do século 20. A obra literária de Simões Lopes Neto segue como seu maior legado e herança. Advém daí, entretanto, a associação da “Marca Diabo” com produto de baixa qualidade ou pouco valor. Em tempos politicamente incorretos a expressão ganha conotação diversa, simpática e até elogiosa. Selos como Livros do Mal, Não Editora e Má Cia, seguem esta lógica bad boy das letras.

Agora com seu primeiro voluminho caprichado, a Coleção Marca Diabo presta, assim, homenagem à criatividade e às ideias de jerico daqueles que não se encolhem ante as certezas e as concepções de sua época.

Leia antes de jogar fora, Marca Diabo, será lançado na próxima sexta-feira na Livraria Monte Cristo, na 15 de Novembro, 913, às 19h.

Lembrete: fumar é prejudicial à saúde.

Publicado no Diário Popular, dia hoje.




2 comentários:

Asas da Ilusão disse...

desculpa não poder ter ido no lançamento! Mas POR FAVOR POR FAVOR POR FAVOR, guarda um livro p mim!!!

Vou te fazer um pedido:

Vamos fazer algo para que esse mundo fique melhor?

o Xingu pede socorro!

Confira e participe!
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Rody Cáceres disse...

Ai meu, chegou teu livro em Rio Grande, parabéns pelo lançamento... Sou vendedor da VAnguarda, vou oferecer pra galera... abraços - Rody Cáceres www.blogdorodycaceres.blogspot.com