29 de out de 2011

A festa dos livros

Começaram as feiras do Livro! Plurifico, pois ocorrem aqui em Pelotas e na capital gaúcha. Para mim a festa é uma só. Curto demais! É show! Quando morava em Porto Alegre, apreciava a movimentação na praça pela janela do segundo piso da antiga Alfândega, prédio onde trabalhei. Não raro, identificava algum autor no formigueiro de lombadas humanas. Do Assis Brasil ao Ziraldo, muitos divisei de passagem transeunte, com meu olhar instruído por retratos de orelhas de livros. Não raro, tirei férias para imiscuir-me naquele universo em tempo integral.

Quando cheguei em Pelotas, há dois anos, logo conheci a sua Feira. Participei ativamente enquanto leitor. Como escritor, aprontei uma daquelas de rachar a cara. Tinha data agendada e, por questões de foro íntimo, perdi o horário. Até agora amigos e colegas me cobram a gafe. Mudo de assunto.

A meu ver, as feiras serão sempre uma só. Sinto a mesma atmosfera aqui e lá. Uma energia corre livre entre as cidades interligadas por estandes e caixas de saldos. As ideias pulsam nas sacolinhas carregadas pelos consumidores da cultura. Ideias recém-nascidas que esperam por leitores que as adotem. Alimentem. Recriem. Reproduzam. O conhecimento tem vida própria. Somos seus hospedeiros.

Identifico-me bastante com a Feira de Pelotas. Temos o mesmo número de primaveras. Sou de 72. Ela, que esconde a idade, é de 1960, contudo, teve algumas edições suspensas por dificuldades próprias ou não do regime de exceção.

Atenção, pais! Atenção, professores! Não deixem de levar suas crianças à Feira. É na infância que se inicia este amor. Namoro não apenas com os livros, mas com as feiras que os promovem. Ainda guardo na memória algumas vezes de piá em que tive o privilégio deste passeio. No quinto ano fundamental, minha escola participou de um interessante programa que reuniu composições de alunos da rede pública em um trabalho coletivo. O livro manuscrito foi encadernado e exposto em uma banca. Pena que não fiquei com uma cópia. O momento, entretanto, foi registrado por um jornal da capital. Conservo o recorte, no qual poso com duas coleguinhas. Nas mãos, livros e picolés. E isso foi em 1983!

Ano passado, minha filha, com apenas três anos de idade, visitava a Feira com sua mãe e figurou aqui na contracapa do Diário. Anteontem, enquanto lhe mostrava a imagem, perguntei o que fazia ali. “Olhando os livrinhos, né, pai?” Óbvio! Que pergunta! O ponto é que já se familiariza com tal vivência e com certeza continuará colecionando lembrancinhas de suas participações na Festa dos Livros. Em casa, é dona do primeiro andar da estante a qual acessa com frequência, aguçando o olhar e cultivando as ideias.

Ah, já ia esquecer de dizer. Esse ano, autografo na Feira de Pelotas no dia 5 de novembro. Apareçam. Juro que estarei lá!
Texto publicado 28/10/11

Um comentário:

Gisa disse...

Também tenho um incrível prazer de circular na feira, parar, observar livros e pessoas, respirar o ar da praça misturado com o cheiro dos livros. Gosto. Um grande bj querido amigo virtual e professor real.