22 de set de 2011

Toda parede será porta

Semana passada fiz um experimento de realidade mista, reunindo mundo físico e virtual, nesta coluna. Com um link no final do texto remeti a uma continuação em meu blog. O retorno, parcíssimo, confesso, não me surpreendeu. Aos poucos, contudo, vamos acostumando com a integração de novas mídias. O cinema foi o primeiro nesse caminho de síntese dos estados de arte. Literatura, teatro, música, coreografia, formas e fotografia projetaram-se na telona sem excluir as expressões anteriores. Com a digitalização do mundo físico não será diferente.

Somos a última geração descendo a correnteza pixelizada num barquinho de papel. Profetas do novo milênio anunciam a alfabetização digital. Ou seria melhor chamar de “qwertyzação”?

Não vou analisar a desimportante discussão sobre o apocalipse do livro impresso. Afinal, os tabletes de argila e os de silício têm 90% de DNA em comum. Entre um e outro tudo é suporte para informação. Aposto na transição e especulo sobre ela. O livro como conhecemos hoje vai mudar. Claro. O que me arrisco a pensar é sobre as formas de integração de mídias.

Uma das novidades para consumidores de informação são os códigos de barra em 2D ou QR, Quick Response. Escrevi “novidades”? Risque, pois foram criados e são aperfeiçoados desde 1997! Surgiram na indústria automobilística, Toyota, ao que consta e por aqui discutimos se cavalo usa fralda.

O.k., alguns boletos já trazem o novo código. Mas o recurso pode ser melhor aproveitado que somente pagando contas. No Japão, por exemplo você aponta a câmera de seu celular para um produto, num fastfood, e baixa a tabela nutricional na tela do aparelho. Em alguns museus europeus já é possível, pelo código ao lado de uma peça de arte, carregar dados da obra ou do artista em seu celular.

Alguns periódicos nacionais já estão publicando o recurso junto a suas matérias. A Tarde, de Salvador, foi o primeiro jornal impresso do país a incorporar o QR Code em suas páginas, conduzindo o leitor do papel ao dispositivo móvel.
Enquanto os tradicionais códigos de barra têm capacidade de armazenar cerca de 20 dígitos, resultando num monte de zebras, os QR podem carregar até 7.089 caracteres, ampliando significativamente sua funcionalidade. Fascinante, né? Que nada! Existem mais de 70 novos códigos em estudos. O mais fantástico é o tal Bookcode, em que um ponto de três milímetros, imperceptível a olho nu, carrega milhares de informações em quadros que lembram os antigos microfilmes, com uma única foto. Numa livraria, você carregaria as sinopses de todos os livros ali disponíveis com um clique. Quer mais? O leitor poderia consultar a biografia do autor mirando a lente do celular para um quadradinho axadrezado na contracapa. O certo é que os limites entre real e virtual se estreitam e logo, logo toda parede será porta de entrada para universos paralelos. O futuro está lá fora. Ainda nem começamos.
Publicado em 30/09/2011
 








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Um comentário:

frô disse...

Às vezes, mesmo sendo da geração em que apertar a tecla ESQ nao significava mais explodir o computador, sinto-me um pouco perdida.

Meus filhos de 5 anos estão sendo alfabetizados. Têm que aprender a escrever com letra corrida. Ainda me pergunto pra quê, isso. A qwertyzação me parece mais útil.

Só espero que a tecnologia, pra eles, não sirva como escada-rolante aos preguiçosos (eles educadamente param ao subir nessas escadas... como se não soubessem que elas servem para chegarmos mais rápido ao outro andar!).