11 de ago de 2011

Atenção para um recado

Anteontem, refletindo sobre o que comentar hoje, pintou a ideia a seguir. Há momentos em que é impossível deixar de invejar outros cronistas. O argumento não é meu. Na real, talvez nem bem se trate de inveja, mas de uma admiração afobada. Algo que sentimos ao nos depararmos com um texto que desejaríamos ter escrito. Um olho gordo intelectual. Nem me refiro ao velho Braga ou ao Sabino, com quem convivo serenamente em minhas leituras de pijama. Ocorreu que do lado de cá (futuro ou passado) li um texto de duas décadas, de Mario Osorio Magalhães, intitulado Atenção para um recado. O autor observava a facilidade em encontrar um amigo de infância possibilitada aos cronistas consagrados. Era só inserir um chamamento em seus textos e pronto.

Exatamente aí rolou a tal inveja criativa. Novo na cidade e nas letras, foi então que descobri no conhecido historiador de Pelotas um cronista de primeira. Muito do que tenho experimentado aqui, ele já fez há anos. Só me restando viajar no tempo para valorizar minhas rodas reinventadas.

A intertextualidade não é exclusividade da crônica. É neste gênero, porém, que podemos evitar maiores formalidades no diálogo com escritores distantes temporal e espacialmente. É como se atravessássemos buracos de minhoca no universo literário e fôssemos tomar um cafezinho com um amigo.

Magalhães não tem participado ultimamente do Diário com tanta frequência, o que se deve a sua bissexTualidade autoral (atenção, revisor, favor não tocar no tesão da palavra). A crônica a qual me reporto está no livro Página dois - alusão ao espaço ocupado por ele no Jornal. Curti tanto que fiquei a fim de escrever-lhe algo.

Qualquer leitor gente fina, diante de tamanha marra, não se encolheria à parceria de me dar um toque para telefonar, enviar um e-mail ou torpedo ao professor. Mas não. Eu ficaria totalmente sem jeito. Ouvi dizer que mora não sei onde no Laranjal e já adianto que não vou pagar o micão de bater na sua porta. Tampouco seria capaz de marcar em lugar algum. No Aquários? No Quadrado? E se não viesse? E se não lesse o jornal? Pior... e se aparecesse? Sequer poderia encará-lo. Não haveria o que dizer. Como me desdobraria, eu, um cara nada sisudo, pai de uma menina engraçadinha e funcionário público? Seria bem difícil explicar que recebi um recado através de crônica sua. Fosse eu um grande cronista mandaria de vez um convite através de algumas linhas dessa página número cinco. E que o encontro fosse do lado de lá, em 1991.

Melhor deixar quieto e continuar matando minhas charadas por aqui, do meu jeito. Virarei pro lado e dormirei, sabendo que amanhã terei que revisar este texto e enviá-lo para publicação. E se tudo der certo, daqui a 20 anos, alguém mandará algum outro recado.


Publicado no Diário Popular - 05/08/11

Um comentário:

Sexo c/ Amor? disse...

Olá, Marcio!

Está estranho aqui no teu blog... Clico e somente aparece o post sobre ensaio das cores - 29 de julho?!