23 de jul de 2011

Cá entre nós

Aviso aos navegantes. A leitura a seguir não é notícia, tampouco análise. Não, não é artigo. Sequer de ensaio dá pra chamar. Se quiser pular fora, fica a vontade. Também não sei o que será. Crônica? Digressão? Metalinguagem? Vai saber! Delírio talvez. Sim, com certeza será uma viagem. Depois não diga que não avisei. Se for continuar, só te peço uma coisa: vá até o fim. Estarei lá. Prometo! Haverá lanche ou algo assim. Uma musiquinha? Sugiro A whiter shade of pale, Procol Harum, que ouço aqui, com a função repetir selecionada. (clique nas figurinhas aí para rodar o som e leia espiando as imagens). Neste exato momento, ao passar os olhos sobre as linhas desta página, consegue imaginar o percurso das ideias até o interior de tua mente? Pois bem, para aí!
Cavalinho de pau e pé na tábua! Venha comigo na contramão. Teu córtex cerebral some no retrovisor dos pensamentos. Deixa rolar e não olhe mais para trás.

Vamos nessa, nervo ótico afora. Tua retina tá logo ali na frente. É a luz no início do túnel. Sinal aberto pra nós que somos velhos. Observe as frases saindo de tua cabeça para regressar à minha. A luz é só um pedregulho da Via Láctea no meio do caminho. O espaço entre teus olhos e o texto é estritamente imaginário. Pule e não chore a palavra derramada. As letras são formigas na corda bamba do invisível. Partituras de ideias fixas sempre tocando a mesma música em branco e pálido. Cores não existem fora do cérebro.

Chega mais. Tô aqui, do outro lado de cá. Teus impulsos elétricos percorrem agora hardwares até esta fina camada de plástico em que teclo sem parar. E digito a letra pê da palavra palavra agorinha mesmo. Não acreditas? Eu falei que talvez fosse um delírio. Não tem mais volta, porque já estamos no trajeto de volta. Calma, falta pouco. E o radar imóvel de minhas retinas registra a imagem da palavra palavra passando veloz por cones e bastonetes nervosos até meu cérebro.

Pode chegar. Não repare a bagunça. Vê aquele ali, sentado na praça? Meu avô. E o outro, conversando tão animado com ele, tá ligado quem é? Chegou contigo? Tanto faz. E essa fonte? Estamos na minha cabeça, mas têm muita coisa por aqui que não sei de onde veio. Que vamos fazer? Já sei. O lanchinho, um piquenique. Agacha aí. Têm frutas, queques, doces da Dona Zilda e biscoito de mentirinha.

O som segue tocando. “And the truth is plain to see...” Cá entre nós, a verdade é uma só: não vemos nada. Nunca vimos. Mesmo de olhos abertos permanecemos cegados. “And although my eyes were open. They might just as well've been closed”.

Eu prometi que vinha com você e fico por aqui. Assine o livro de visitas e agora que sabe o caminho, apareça quando quiser. E leve meu abraço aos que estão aí, do outro lado de lá.

Publicado no Diário Popular, 22/07/2011.



6 comentários:

Gisa disse...

Adrenalina de montanha-russa...
Um bj

orlando pinhº d-silva disse...

recado dado:"Cá entre nós, a verdade é uma só: não vemos nada. Nunca vimos. Mesmo de olhos abertos permanecemos cegados."

orlando pinhº d-silva disse...

recado dado:"Cá entre nós, a verdade é uma só: não vemos nada. Nunca vimos. Mesmo de olhos abertos permanecemos cegados."

Sexo c/ Amor? disse...

Estou aqui, observando!
Como José Saramago ensina: Se podes ver, repara!
beijo

Pamela Chris disse...

Livro – O Reino de Milian
Sinopse
A guerra dos três Reinos já preocupava Ana e sua mãe antes mesmo de David, um garoto do Reino inimigo, chegar. A partir daí Ana vê sua vida mudada. Juntamente com alguns amigos ela deve viajar entre os Reinos, mesmo com o perigo da guerra, e efetuar uma missão nobre. Uma missão que poderia trazer de volta a paz, a alegria que uma guerra de vinte anos tirou. Uma missão que uniria Milian novamente.
E Ana está disposta a isso, mesmo que signifique que ela pode não voltar viva.

Gostou? Então dá uma olhada no blog do livro: http://www.oreinodemilian.blogspot.com
;)
BJS

João Esteves disse...

Se A whiter shade of pale só já fala e diz há tempão, fala e diz mais ainda agora, nessa bem viajada viagem de meu cérebro gaúcho pra (e ciceroneada por) outro, igualmente cheio de coisas vindas de sabe-se lá.
V a l e u !