1 de abr de 2011

Sobre o Dia da Mentira

Qual a maior pegadinha: a mentira ou verdade?



1º de abril! Não. Não falarei sobre a mentira no dia dos bobos. O tema está manjado. Piada velha. Vou abordar a verdade. A verdadeira verdade, pro que der e vier. A verdade é sedutora. É a dama de vermelho. Tem pernas longas e narizinho pequeno. Ela nos espera lá fora. Sentada. Misteriosa. Indecifrável. Mas toda verdade tem dois lados. 

Sempre foi assim. Vaidosa. Nua e crua. Impulsiva. Imatura. Verde. Também é metida. Metódica. É a líder de turma. É cê-dê-efe! Por vezes mostra-se orgulhosa e arrogante. Cheia da razão, quer convencer a todos. Depois acena dedos de vitória. A verdade é dogmática. Doa a quem doer.

Fala sério! A verdade não presta, gente. A verdade é covarde. É hipócrita. Cínica. A verdade é uma baita duma fofoqueira. É alcagueta. Dá carteiraço em tribunal, em banca de doutorado, em redação de jornal, em plantão médico, em confessionário. No pau de arara, no jogo do copo, na garrafa de vinho. Verdade ou consequência? Você gosta mesmo dela? De papel passado? Até que a morte os separe? Então diga a verdade, somente a verdade e nada mais que a verdade. Será que realmente suportaríamos toda a verdade? Ah, tá! Conta outra!  

Vamos mudar de assunto que perdeu a graça tanta lorota. O Dia da Mentira... Quê? Eu disse que não ia falar nisso? Vai dizer que caiu nessa? Ninguém é dono da mentira. A mentira é maior de idade. Devassa. Oferecida. É cabeluda. Deslavada. A mentira também é rasteira. Basiquinha. 

Segundo Quintana, a mentira é uma verdade que esqueceu de acontecer. Perdoe-me o poeta, mas terei que desmentir. Pra começo de conversa, licença poética à parte, o argumento é inverossímil. Uma impossibilidade lógica. Se a mentira fosse na origem uma verdade não poderia deixar de acontecer e, logo, não seria mentira. Pegadinha do Malaquias!

A única verdade absoluta é que todo mundo mente. Taí o Millôr que não me deixa mentir sozinho. Para o célebre frasista, as pessoas que falam muito mentem sempre, pois esgotam seu estoque de verdades. O 1º de abril é uma mentira. Deveria haver, isto sim, o dia da verdade, como no filme O mentiroso, do bobão Jim Carey. Imaginem quantas peças pregaríamos. Podiam inventar a máquina detectora de verdades.

O Dia da Mentira ou Dia dos Bobos, tem origens remotas e versões variadas. A mais interessante vem da França de meados do século XVI, quando o rei Carlos IX adotou o calendário gregoriano, iniciando pelo 1º de janeiro. Até então o ano novo era festejado entre 25 de março e 1º de abril, chegada da primavera. Diz a lenda que aqueles que continuaram comemorando pelo calendário antigo passaram a ser alvo de chacotas e brincadeiras, como receber presentes absurdos e convites para festas inexistentes.

Se foi bem assim eu não sei dizer. Mas que foi verdade, foi!

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