19 de jan de 2010

Natureza viva

Foto: Troncos/Cilesia


Fotografava árvores. Nas ruas, nas estradas, nas viagens. Por onde passava, colhia imagens em padrões concretos sem chão, nem céu. Caules novos de costas pra semente e apontando pro sol. Galhos abraçados. Ramos de mãos dadas. Frutos e flores. Cogumelos, espinhos, tubérculos. Raízes escorridas e cascas secas, penduradas em troncos rasgados, à espera do caminho de volta pra terra. Registrava tudo com afinco. As texturas esticadas, lisas e ásperas de varizes verde-mescladas de infinito. Coletou detalhes por trinta e cinco anos e agora forrava as paredes da casa com as fotos cheia de esperança de logo perder-se na densa floresta de seus devaneios.

10 comentários:

Zu Fortes disse...

GOSTEI.
ILUMINADO.

Pequenas idéias disse...

bonito, grandes imagens!

Mary Carvalho disse...

Adorei o post... pareceu com Oswaldo Montenegro, quando resolveu pintar toda a casa, pra simular a vida dento de uma pintura.
Voltarei aqui mais vezes! Ah, visite meu blog também:
http://badu-laques.blogspot.com/

Até!

Anderson Reichow disse...

"afudê"

Su Angelote disse...

Profundo. A arte em forma de sonhos. Gostei!!!

Bruno Scuissiatto disse...

Rapaz, que conto bom de ler. Ou seria ele lendo eu? Bom, muito bom.

Márcio Ezequiel disse...

Valeu, pessoal! Acho q é tudo isso e nada disso. Somos nós lendo o texto e o texto nos lendo. É sonho. É sono profundo. É metáfora da vida.
Afudê! hehehe

Anderson Reichow disse...

A propósito, Márcio, escrevi um texto florestal também lá no meu blog, em fins de 2009. O nome é Quase Odisséia.

Mas, infelizmente, o meu tem "moral" escancarada. Do tipo "moral da história". Fico com o prejuízo de parecer doutrinador.

Buenas, tá lá.

www.pensamentoampliado.blogspot.com

Le Fay disse...

Linda imagem, maravilhosa ideia!!! Parabéns!!

ana disse...

simplesmente lindo! adorei mesmo