17 de jan de 2010

BEAT

De meados da década de 50, o poema 'America', de Allen Ginsberg, ainda é um forte documento de manifesto contra a hipocrisia de valores impostos.

A seguir, de livre inspiração, uma versão anti-bairrista rio-grandense:



Rio Grande

Rio Grande, tanto trabalhamos por ti e até agora, nada.
Nossos escravos levantaram charqueadas e hoje o sul é pobre.
Nossos gringos inventaram o vinho doce e a Gringolândia agora é rica.
Nossos alemães acordaram cedo e hoje somos separatistas.
Nossos árabes estão no Chuí, nossos judeus, no Bom Fim.
Rio Grande, por que somos do contra?
O maior presidente fascista do Brasil era gaúcho.
Meteu uma bala no pijama.
Foda-se a cuia e a bomba de chimarrão.

Cague-se a erva-mate!
Fumei e traguei quando jovem e não me arrependo.
Não sei nem o que me passa no pensamento.
Quem tem a maior torcida?
Tira essa bombacha patética do meu mochinho.
Onde andavam tuas prendas enquanto brincavas de laçador na parada gay?
Rio Grande, estou de saco cheio de tuas bravatas.
Temos a maior praia feia do mundo.
O Guaíba tá podre.
Eu não acendo vela ao Negrinho do Pastoreio!
Não somos heróis de guerra nenhuma.
Quem venceu a Revolução Farroupilha?
Defensores da elite, até quando?
Lutamos por latifúndios, por carne seca.
Não vou defender a tradição, a coragem, a virtude.
Uso boné e tênis e não gosto de façanhas.
Até quando degolaremos nossos inimigos?
Rio Grande, eu não quero ser modelo a toda Terra.

5 comentários:

Paveck disse...

Márcio é o Mencken dos pampas.

Anderson Reichow disse...

Subscrevo, ressalvando o apreço pelo chimarrão.

Borges disse...

Que bom ter vc no twitter. Bonito seu blog, gostei dos temas . Visite e comente: solescritoblogspot.com

Márcio Ezequiel disse...

Literatura é mímese e simulacro. Imitamos a vida. É tudo alucinação.
Tenho que tomar menos chimarrão!

Mouroblog disse...

Cara simplismente, você resumiu tudo que eu penso, sinto cheiro,olho e até escrevo. muito bom a verdade desnudada é sempre muito bom