12 de nov de 2009

A vida e a arte

Baaaah, dei o bolo na Feira de Satolep. Foi por motivo de força muito maior que eu e comodamente para mim, impublicável. A vida sempre se sobrepõe à arte sem imitá-la, pois a representação mais rica se apaga ante o real mais efêmero. E a vida, por mais tola que seja, não é passível de apreensão ou reprodução por pena alguma sem perder o que tem de mais concreto: a imponderabilidade absurda e irracional do acaso. A literatura é uma farsa institucionalizada pois reduz a um universo artificial e cheio de significados construídos, o que sequer tem sentido em si. É o que "não é" (e nem pode ser) fora de nossa busca por explicações em análises individuais ou forças sócio-culturais.
Enfim, se alguém perdeu a viagem, é só passar na Delegacia da Receita em Pelotas e pegar seu livro autografado - gratuitamente, comigo.

Já na Feira em Porto Alegre, autografei um conto meu, publicado no Histórias de Trabalho de 2008. Estiveram lá a Luísa (com esse), o Edson, Gil, Bruna, Rafael, Lélio e tantos outros.

Um causo interessante a destacar: procurou-me a Roselaine, que deveria apresentar meu texto no Sarau de entrega da premiação que ocorreu em setembro passado no Teatro Renascença. Ela não foi. Eu também não. A vida se sobrepôs à arte outra vez naquele mês. Motivos de todos tamanhos à parte, contou que minha narrativa coincidia em vários pontos com a história de um tio seu. Às vezes o fazer literário assusta um pouco: criei aquela narrativa ficcional e, como outras que já escrevi , sinto como se fosse real. Talvez seja.
Mas o que realmente surpreende, a toda hora, ainda é a vida.

Um comentário:

Anônimo disse...

Quantas histórias rende o ir/não ir como questão. Os motivos deles mais ainda. Se são bons ou não, grandes ou pequenos, o tempo não faz os ajustes necessários a nossa percepção deles?
Boa semana!
Marciane Faes