24 de nov de 2009

Carta de partilha

Sábado passado te vi na pizzaria com o Júlio e a Cris. Por um momento pensei em chegar e dar um oi. Parecias bem. Conversando tão descontraída. Acho que não falavam de mim. Que bom que eles não eram amigos só do casal e vocês ainda saem juntos. Pra mim não ligaram mais. Talvez fossem de fato mais teus do que nossos amigos. Eu tinha rangueado e resolvi sair na manha. A coisa toda ainda está muito recente, eu sei. Melhor evitar os silêncios que se seguiriam nas bocas apertadas por olhos tão abertos. Depois, no domingo, nem saí. É que me toquei que a todos os lugares legais que conheço sempre íamos juntos. Quando a gente se separou, devíamos ter partilhado mais do que os bens. Dividiríamos também as memórias. Os amigos. Os lugares. Lembra daquela janta de aniversário de 10 anos? Pode ficar. Na boa, nem gosto daquele restaurante. Lá não vou mais. Muito chique pra um ex-casado frequentar. Já a pastelaria do parque eu quero. Ainda mais agora que estou com pouca grana. Foi o que mesmo? Meu aníver, eu acho. Temos que dividir a planta da cidade. É uma questão de definir e conhecer o palco em que atuaremos nossos novos papéis. Não estamos prontos pra nos pecharmos por aí. Desviarei minhas rotas pra fugir de teus caminhos. Itinerários mapeados. Calçadas de mão única. Você, Rio Branco; eu, Bom Fim. Você, Rendenção; eu, Moinhos. Fico com o Dr. Brenner, que tô querendo mudar o remedinho.Você agora pode manter a análise individualmente com a Sílvia, porque como terapeuta de casal não vingou. Ou sim. Sei lá. Pelo menos nos ajudou a resolver o problema. Manda abraço pro teu pai. Tá ligada que eu gosto do velho, né? Ah, e me deixa a Soninha. Tenho que investir nas amizades solteiras agora. Nada a ver, viu? Sabe que não curto aquelas tatus dela. Mas vá que me apresente alguém? Aí, deu. Pastelzinho e chope. Foi assim que começamos, lembra?

3 comentários:

Anderson Reichow disse...

A estrutura do teu texto tem tudo pra ser verdadeira. Então (nem sei se posso dizer isto), lamento. Pela parte literária, nota dez.

Márcio Ezequiel disse...

Anderson. Dificil essa de separar o q é verdadeiro do ficcional... Tudo é verdadeiro e tudo é ficcional.
Ok, ok. Menos.
Óbvio q não vou entregar o q vivi pessoalmente e o q é criação. Então (nem sei se posso dizer isto), VALEU!!!
E volte sempre.
Gostei dos comentários.

Anderson Reichow disse...

Claro que volto.
Inclusive linkei o seu blog lá no meu, a título de recomendação aos que me frequentam. E também como parte do meu roteiro de visita diário.
ABÇ,

Reichow