6 de mai de 2009

O Piloto e o Poeta

05 de maio de 1994. Lá se vão 15 anos. O Brasil ainda chorava a morte de seu herói da fórmula 1. Eu, no busão ,voltando da faculdade, chateado com a morte de Mário Quintana. Pela porta da frente do coletivo entrou um popular pra lá de embriagado: "bateu, forte! bateu, forte!" - ficava repetindo a narração do momento do acidente do Senna. E eu, ali a 55 km/h, pensando no poetinha que finalmente ia deitar de sapatos. As certidões hoje estão expostas na Casa de Cultura. Na de óbito, o nome completo: Mário de Miranda Quintana. Na de nascimento, de 30 de julho de 1906, apenas "M a r i o". Assim mesmo, sem acento e com letras espaçadas. Folha de rosto dos 87 anos lentamente bem vividos. "Bateu, forte! bateu, forte!" e chorava o borracho. O motora pediu pra ele dar um tempo. Lembro da vez primeira que vi o Mário passeando na Rua da Praia. Bem como aparece nas fotos. Meio reclinado. Bengalinha e ar de nem me viu. Andava por aí a examinar as ruas de Porto Alegre, tal fosse um corpo e muitas curvas. O porta voz da dor nacional desceu, falando mais uma vez, baixinho, "bateu forte, Ayrton". Como a vida é breve, pensei naquela noite no ônibus. Começa simples. Espaçada. Nos chamam pelo primeiro nome. Depois vai se compactando. Acelerando. Complicando. E conforme crescemos, diminuímos. Até que nos perdemos em alguma curva por aí. Mas eles não. Não os heróis. Não os poetas. O Senna ficará na memória do povo. Os outros passarão, Mário Quintana, passarinho. E lá se vão 15 anos!


POEMINHA DO CONTRA


Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

-------------------------------------->Mário Quintana

Um comentário:

Anônimo disse...

E pensar que toda essa tristeza do "borracho" começou a ser plantada em 1972, quando os brasileiros passaram a se interassar por automobilismo, com o primeiro campeonato de Emerson Fittipaldi.
Quanta à tristeza que o estudante sentia pela morte do poeta, ai dos poetas que se forem adiante; existirão estudantes a sentir tristeza por eles?
Marciane Faes