9 de abr de 2009

Crônicas

Comecei na quinta passada oficina de crônicas com o Carpinejar (olha a cara dele na foto ao lado).
A idéia é pegar umas manhas para potencializar minha escrita ao olhar o efêmero, o rápido, o instantâneo. Não abandono o conto, mas para o blog é necessário uma escrita mais crônica. Ha,ha,ha. Que hilário! Uma escrita mais CRÔ-NI-CA. he,he,he.
O primeiro encontro foi 10! Provocador, além de dialogar bastante sobre as características do gênero (literário, é claro), já colocou a turma a produzir.


Abaixo meu primeiro tema de casa:

Delete

Tirar alguém de nossa vida não é tarefa fácil. Ainda mais quando se trata de caso de amor mal resolvido. Talvez fosse possível tentar o oposto. Para isso é preciso manter esse alguém ali, presente. Na sala de estar, no quarto, no guarda roupa, na dispensa, etc. Tentar colocar pra baixo do tapete não só não resolve como acabamos tendo que dar explicação pra diarista.
Rasgam-se fotos de papel. Apagam-se as virtuais. Arrancam-se folhas de rosto dos livros. Tudo inútil. É como se quanto mais negássemos a vida em comum, eliminando as grandes lembranças, mais ela se revelasse nos pequenos detalhes.
Podemos colocar fora até o último bilhetinho carinhoso que estava, meio de lado, preso nos ímãs da geladeira, mas fica a caneta. Livramo-nos da caneta, fica a tampa e na tampa tem a mordida, e na mordida tem o beijo e no beijo a boca. Deu! Não podemos nos livrar de nossas bocas. Impossível ou no mínimo desconfortável em situações como tomar sopa sem fazer aquele barulho de chupada na colher, que tanto irritava a criatura coabitante.
Luta inglória, esforço hercúleo, derrota certa. As músicas? Deletadas! O sabonete de leite de cabra que custou R$5,88, lançado na privada. Nada adianta. Não tem jeito. Na foto, partida ao meio, resta na metade conservada um braço por trás do ombro, um pezinho encostado na perna. No rádio da vizinha tocam nossas músicas preferidas. Todas as dez. E o maldito cheiro do sabonete de leite de cabra ficou impregnado no armarinho do banheiro. Entende? Isso persiste até que nos damos conta de que para esquecer uma pessoa é preciso colecioná-la. Resgatar com lupa e pinça pela casa os vestígios da vida a dois. Organizar um memorial. Fazer um blog. Um mural. Um santuário. Tietar até enfarar, enojar e apostatar. Só então, purgados de nosso vício, talvez consigamos esquecer aquela pessoa tão querida, fofinha, cheirosa, o amor da nossa vida. Onde
andará?

6 comentários:

Angela Dal Pos disse...

que inspirações novas te movam! E espero que o Carpi não tire teu tênis! rsrs
Comigo tudo ok para a crônica, mas estou fazendo a oficina de poesia com ele na Unisinos. Aí definitivamente não é minha praia, constante desafio, piso em águas desconhecidas.
Vejamos o que sai!

Márcio Ezequiel disse...

Blza Angela. Valeu a visita.
Toda aula com ele se corre algum risco. Mas o cara é muito bom. Oficina é dificil, público eclético, níveis variados... sem enfeitar: o cara tira ouro da merda hehehe. Enquanto isso caminhas sobre as águas da poesia com um pé só? De fato aquela vez q ele te tirou o tênis foi bem engraçado hehehe. Abraço!
Márcio

Gabriela Gomes disse...

Ficou ótimo!
Fiz 2 Oficinas com o Fabro e são divertidíssimas.

Um abraço.

Márcio Ezequiel disse...

Blza, Gabriela. Já visitei teu "A Cronista" Bem escrito pra caramba!
Volte sempre. Vez por outra passarei por lá.

Ruty Elane disse...

Cara, tu é bom heim... Ler os seus textos me dá a gostosa (para alguns contraditória) sensação de que eu preciso estudar mais, muito mais...
Parabéns!

Márcio Ezequiel disse...

U-huuuuu! São os teus olhos, hehehehe. Mas, tenho a mesma sensação: tudo a aprender. E espero q essa busca não acabe. Pq se um dia achar q sei, perde a graça. Aí vou aprender a tocar contra-baixo ou gaita de boca. Legal estar sendo lido e apreciado, é para isso que lançamos nossas garrafinhas na água.
Abraço!!!