31 de dez de 2007

Feliz ano (de) novo! Que tudo se realize!!!

10...9...8... Mais um ano se foi. Como lidar com um dia que é absolutamente igual a todos os outros trezentos e sessenta e quatro (ou trezentos e sessenta e cinco) de maneira diferente sem evadir-se das festividades? Aliás a maioria destas datas que nos deixam pesarosos e deprimidos como o Natal, nosso aniversário, etc. faz-nos pensar nos porquês: por que não fiz isso? por que não fui lá por que não disse aquilo? E as respostas são sempre as mesmas: ano que vem vai ser diferente, ah vai ser diferente. Vou lá, faço, aconteço e digo. E poderei dizer no final do próximo ano: que alívio... E pior que faremos quase tudo mesmo. Mas surgirão outros porquês até o próximo trigésimo sexagésimo quinto (ou sexto dia) do novo ano que se iniciou. É correr atrás do rabo. Ações incompletas. Portas não abertas. Palavras engolidas. E temos plena consciência disso justo na véspera quando não dá para consertar quase nada. É isso que nos deixa mal. A rigor, a coisa toda é complexa e confusa: como assim "saúde-pra-dar-e-vender"? Alguém aqui trabalha em plano de saúde? O "muito-dinheiro-no-bolso" tem algo a ver com isso? Todo mundo tem que estar feliz. Ah, mas o brasileiro é assim: tá ferrado e tu encontra o cara na rua e "aí, tudo bem?", "tudo". A solução talvez esteja em não se auto-prometer nada. Quem não deve não teme - é o que dizem, não é? O problema é que sempre tem alguém pra lembrar-nos do "que-tudo-se-realize". Pronto! Tá feita a cobrança. Não tem como escapar. Tudo serealizar é uma peso que não se pode carregar. Mesmo o mais misantropo enclausurado vai trabalhar dia dois e está sujeito ao "como-foi-de-festas?", "Tava jóia! Tuuuudo jóiinha!" Sem contar a superexposição da mídia: a São Silvestre, o Faustão, lentilha, porco, roupa branca e as previsões.
PQP! As previsões!
"Vai acontecer uma coisa boa para o Brasil"; "Vamos perder um artista querido"; "Vai ter um grande escândalo na política". Genial! Por que essa gente não adivinha os números da Mega Sena (ou da Loto Fácil, que seja) e abre uma empresa de saúde? Aí teriam o muito-dinheiro no bolso. Retrospectivas e perspectivas. Que saco! Se alguém esperava me ver soltando foguetes por aqui, perdoe-me o pessimismo. Peguei uma virose (que é aquilo que dá na gente com diarréia, dor no corpo e fraqueza e os médicos não sabem dizer o que é) e passarei a virada literalmente na merda. Mas enfim, tudo são vaidades. Tudo hipocrisia de nossa sociedadezinha pequeno-cabeça! Menos um ano...3...2...1

4 comentários:

Taís Luso de Carvalho disse...

Ezequiel: esta tua crônica... Será que não houve uma comunicação extra-sensorial (risos)? Não: nossos blogs não tinham, ainda, nos apresentado.
Não lembrei dos aniversários... Esta data também é sofrida, não agüento mais. O Faustão, as previsões dos babalorixás... A horrorosa da lentilha! E tudo continua igual. Tens razão: somos uma legião de desiludidos. Fiquei curiosa para ler a tua postagem e adorei. Voltarei sempre e obrigada pela tua visita.
Abraços
Taís

Márcio Ezequiel disse...

Foi o espírito de Grinch!

My ra disse...

Tu escreves muito bem. Adorei te ler. Nada como saber escrever de coisas tristes e verdadeiras com bom senso e bom humor. Congratulations(ih, talvez também não gostes da língua inglesa)hauhauha
Escreve sempre!
Abraço

Márcio Ezequiel disse...

Ok, thanx! Or just as Borat ´d say: I hate english... NOT!!!