2 de nov de 2007

Tempo de Ler

A Feira do Livro de Porto Alegre me angustia.
Angustia porque não posso desfrutá-la plenamente. Claro que não estou sozinho neste sofrimento de ausências agendadas. Todo leitor, escritor que trabalhe perde grande parte da programação. O que me tortura é trabalhar na Alfândega, ou seja dentro da Feira. Palestras, oficinas, saraus, tudo "além da imaginação".
Eu, espiando da janela.
Ontem assisti a um episódio do TWILIGHT ZONE, que alguns de vocês talvez lembrem: Time is enough at last (Tempo Suficiente, 1959). O personagem principal, Mr. Henry Bemis, é um leitor compulsivo, louco por leitura. O conflito se estabelece no fato de ele não conseguir tempo para ler. Trabalhando em um banco, espia no seu guiche algumas páginas por trás de um super fundo-de-garrafa. Comenta sobre os textos com os clientes, o que resulta em mijada do gerente. Em casa a esposa também não o deixa ler. Ela rasga seus jornais. Risca seus livros, etc.
A sensação é de pesadelo.
Chega então o deus ex maquina para resolver: Uma Bomba H destrói tudo e mata a todos. Ou melhor, quase tudo e quase todos. Mr. Bemis é o único sobrevivente, pois estava dentro do cofre do Banco no momento da explosão. Após algum tédio e desespero, ele vê a biblioteca de sua cidade. Reune, então, os melhores exemplares intactos para seu deleite. Faz pilhas de livros. Organiza uma agenda de leituras nas escadas em frente ao prédio semi-destruído. Está radiante! Enfim terá tempo para ler. A vida toda. Pula de alegria. Seus óculos caem e quebram.

Estou decidido. Ano que vem tirarei férias na época da feira (e terei um par de óculos extra).

Um comentário:

Anônimo disse...

Tens toda razão, ainda mais se pensamos em alguns eventos em que gostaríamos de participar, mesmo para abraçar os amigos e o horário do negócio é impossível para quem trabalha e não dá para dar nem uma escapadinha.bj Vera